Anvisa reduz fila de análises ao implementar um pacote de ações internas que promete cortar pela metade, em apenas seis meses, o tempo de espera para medicamentos, vacinas e dispositivos médicos, enquanto dá prioridade a projetos de pesquisa desenvolvidos no Brasil.
Anvisa reduz fila de análises e foca em inovação nacional
Medidas emergenciais aceleram avaliações regulatórias
Nomeado diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária em agosto de 2025, o economista Leandro Safatle herdou um estoque elevado de processos pendentes. Em resolução publicada no fim de dezembro, a autarquia definiu metas para normalizar os prazos de avaliação em um ano, combinando reliance – aproveitamento de estudos clínicos estrangeiros – com força-tarefa de servidores e análises em bloco de produtos similares.
O dirigente lembra que o rigor científico permanece inalterado. “O processo segue o mesmo; o que muda é a gestão”, afirma. Entre os reforços anunciados, está a convocação de 100 especialistas aprovados em concurso, o maior ingresso de pessoal da agência na última década.
Comitê de Inovação acompanha projetos estratégicos
Para evitar gargalos futuros, a Anvisa criou um Comitê de Inovação voltado a tecnologias consideradas críticas para a saúde pública. Os quatro primeiros projetos monitorados são: a polilaminina, fármaco experimental para lesão medular; a vacina contra Chikungunya; o método Wolbachia de controle da dengue; e novas endopróteses vasculares.
A polilaminina, desenvolvida por pesquisadores de universidade pública, já recebeu autorização para a fase 1 de ensaios clínicos com cinco pacientes, destinada a validar a segurança do composto. As fases 2 e 3 dependerão dos resultados iniciais, mas Safatle garante prioridade na tramitação.
Aproximação com padrões internacionais
Além de metas internas, a agência busca reconhecimento global. Segundo Safatle, a Organização Mundial da Saúde (OMS) conduz processo de qualificação que pode consolidar a Anvisa como autoridade de referência nas Américas. O dirigente classifica a certificação como passo fundamental para elevar a credibilidade do país e facilitar a circulação de produtos brasileiros no mercado externo.
Para especialistas, a iniciativa coloca o Brasil no mesmo patamar de agências como a OMS, responsável por balizar práticas regulatórias internacionais.
Impacto esperado para pacientes e indústria
Ao reduzir prazos, a Anvisa pretende agilizar a chegada de terapias inovadoras ao Sistema Único de Saúde e estimular o desenvolvimento industrial local. “Estamos lidando, cada vez mais, com soluções criadas aqui. É estratégico que o órgão regulador acompanhe essa velocidade”, resume Safatle.
Empresas nacionais veem nas novas regras um incentivo para investir em pesquisa. Já associações de pacientes apostam que o encurtamento da fila permitirá acesso mais rápido a tratamentos de doenças raras e a vacinas emergenciais.
No fim, a agência reforça que todas as medidas têm caráter temporário e serão monitoradas por um comitê com participação de representantes da sociedade civil e do setor regulado, garantindo transparência durante a execução do plano.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
