Vulnerabilidade reduz altura média das crianças indígenas Altura média das crianças indígenas e de parte do Nordeste fica abaixo do padrão da Organização Mundial da Saúde (OMS) por causa de fatores socioeconômicos e ambientais, indica estudo do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fiocruz Bahia (Cidacs/Fiocruz BA).
Dados de 6 milhões de crianças analisados
Os pesquisadores cruzaram informações do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan). O banco final reuniu 6 milhões de crianças brasileiras acompanhadas do nascimento aos 9 anos. Todos os registros foram anonimizados, garantindo sigilo, conforme destacou o epidemiologista Gustavo Velasquez, líder do estudo.
Fatores que prejudicam o crescimento
Falta de acesso pleno à atenção primária, alimentação inadequada, alta incidência de doenças, renda baixa e condições ambientais precárias foram apontados como determinantes para a estatura reduzida. Segundo a OMS, meninos de 9 anos devem medir entre 124 cm e 136 cm, enquanto meninas devem variar de 123 cm a 135 cm. Entre indígenas e nordestinos, a proporção de crianças abaixo desses valores é significativamente maior.
Disparidades regionais
Embora a pesquisa não classifique todas as crianças indígenas ou nordestinas como baixas, a probabilidade de baixa estatura é superior à observada em regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. As desigualdades históricas de acesso a serviços básicos explicam grande parte dessa diferença, reforçando a necessidade de políticas públicas direcionadas.
Sobrepeso cresce mesmo na vulnerabilidade
O levantamento também avaliou o Índice de Massa Corporal (IMC). No Norte, 20 % das crianças apresentam sobrepeso e 7,3 % obesidade. No Nordeste, os índices sobem para 24 % e 10,3 %, respectivamente. As maiores taxas ocorrem no Sul, com 32,6 % de sobrepeso e 14,4 % de obesidade. O excesso de peso, portanto, não poupa populações vulneráveis, que convivem simultaneamente com risco de baixa estatura.
Alimentos ultraprocessados em pauta
Para Velasquez, a invasão de alimentos ultraprocessados nas mesas brasileiras impulsiona o ganho de peso em todas as faixas etárias. A OMS alerta que dietas ricas nesses produtos elevam o risco de doenças crônicas em idade precoce (confira a diretriz global).
Repercussão internacional
Publicado em 22 de janeiro de 2026 na revista JAMA Network, o artigo recebeu comentários de especialistas estrangeiros que sugerem que outros países aprendam com o caso brasileiro. Apesar do avanço do sobrepeso, a obesidade infantil no Brasil permanece intermediária em comparação a Chile, Peru e Argentina.
O estudo reforça que acompanhar gestantes e crianças na atenção primária é essencial para garantir crescimento linear adequado e conter o avanço do excesso de peso.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
