Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela Presidência da República, apontam a presença do influenciador Pablo Marçal na reta final da campanha e declarações sobre o Bolsa Família e a Constituição como alguns dos fatores que contribuíram para a mudança de cenário entre o primeiro e o segundo turno.
Segundo pessoas próximas ouvidas pela coluna, Flávio deixou de lado o discurso mais moderado adotado até então e passou a apostar em uma postura mais agressiva. Para elas, a mudança dificultou a conquista de eleitores indecisos e também a manutenção de votos que ainda não estavam consolidados.
O que interlocutores descrevem como um estilo mais confrontador teve efeitos sobre o eleitorado de centro. Parte desse público, na avaliação desses aliados, teria começado a ver o senador como agressivo depois das orientações do influenciador citado como presença marcante na reta final.
Entre os episódios lembrados por esses apoiadores está o momento em que o senador chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de
‘nove dedos’
no debate da TV Globo, além de ocasiões em que teria zombado da voz ou de dificuldades do petista. Para aliados, essas declarações foram vistas como preconceituosas e prejudicaram a campanha entre os eleitores indecisos.
Outras falas ocorridas após o primeiro turno também são apontadas por pessoas próximas como fatores que alimentaram o que definiram como
‘medo do bolsonarismo’
Nesse capítulo, é lembrada a afirmação do senador de que mudaria a Constituição “logo no dia seguinte ao primeiro turno”. Na reta final, declarações de integrantes da equipe econômica sobre o Bolsa Família passaram a ser associadas ao fim do programa, dando material para a campanha adversária explorar.
Aliados citam ainda o chamado clima de
‘já ganhou’
nos bastidores como erro estratégico. Segundo essas fontes, a percepção de que a vaga estava garantida levou a conversas antecipadas sobre distribuição de cargos depois do segundo turno, enquanto o partido adversário focava na mobilização de eleitores e em uma tática que os apoiadores do senador descrevem como campanha de medo.
A estratégia conhecida como
‘Bloco do 22’
— com mobilizações públicas e atos de rua — também foi alvo de críticas internas: segundo interlocutores, a campanha teria se concentrado nesse tipo de ação sem conseguir ampliar o alcance além do eleitorado já mobilizado.
Entre os episódios citados por aliados aparece ainda um vídeo publicado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) sobre a região Nordeste. Nos últimos dias, o partido adversário explorou bastidores vazados da produção para questionar a peça e chegou a chamar o conteúdo de
‘teatro’
Esses erros, na visão de quem acompanha de perto, teriam influenciado a mudança de cenário entre os dois turnos e contribuído para o resultado final da disputa.
