Alfabeta leva samba dissidente às ruas de Salvador abre alas para a diversidade ao confirmar desfile gratuito em 17 de janeiro de 2026, no bairro do Rio Vermelho, seguido da Festa da Apósteose na Casa Rosa.
Bloco une samba, acessibilidade e pesquisa acadêmica
O projeto cultural Alfabeta move-se pela defesa da cidadania LGBTQIAPN+ e da inclusão de pessoas com deficiência. A iniciativa se tornou objeto de investigação da pesquisadora baiana Juliana Feitoza, aluna especial do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania da Universidade de Brasília (UnB). Seu estudo examina como o direito de ocupar o espaço público se entrelaça às múltiplas identidades, tomando o bloco como estudo de caso.
Formada em Direito pela UFBA, com passagem pela Defensoria Pública da União e hoje consultora legislativa da Câmara dos Deputados, Feitoza destaca que o diferencial do Alfabeta está na prática cotidiana da inclusão. Ensaios percussivos abertos, vivências educativas e planejamento focado em acessibilidade fazem parte da rotina do grupo, que conta com pessoas com deficiência entre seus integrantes e prioriza Libras, audiodescrição e equipes especializadas em todo o percurso.
Programação do desfile e da Festa da Apósteose
No dia 17 de janeiro de 2026, a concentração começa às 15h na Rua do Meio, no Rio Vermelho. A partir das 18h, a programação migra para a Casa Rosa (Praça Colombo, 106) com a Festa da Apósteose. O line-up reúne Portella Açúcar, figura marcante da música negra e periférica; o coletivo Casa Criola, referência na cena Vogue & Ballroom; e a DJ e pesquisadora musical Nate Monaco. Os ingressos custam R$ 50 (lote promocional) e R$ 100 (inteira solidária) e estão disponíveis na plataforma Sympla.
Repertório resgata sambas de dissidência sexual e de gênero
O Alfabeta revisita composições que questionam padrões heteronormativos, como “Camisa Listrada”, de Assis Valente. Ao trazer essas canções ao centro da folia, o bloco reforça a memória histórica de artistas LGBTQIAPN+ no samba e evidencia que a festa sempre foi mais diversa do que registros oficiais sugerem.
Sinal em Libras e protagonismo PCD
Para garantir comunicação acessível, o ator e modelo surdo Maurício Rosário criou o sinal oficial do Alfabeta em Libras. A iniciativa demonstra o compromisso do bloco em oferecer experiências inclusivas desde a concepção até a execução do cortejo.
Ao ocupar Salvador com samba dissidente, o Alfabeta transforma o Carnaval em plataforma de pesquisa, memória e intervenção social, reafirmando o direito à rua como espaço de todas as identidades.
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Crédito da imagem: Conexão In
Fonte: Conexão In
