O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) se manifestou na última quinta-feira, 28 de maio, sobre a recente classificação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Em sua declaração, Alckmin afirmou que essa medida é um factoide criado pela família Bolsonaro com o intuito de desviar a atenção do caso de corrupção e sonegação envolvendo o Banco Master.
Durante uma agenda em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, Alckmin disse:
“Infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no país. Para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, ficam gerando factoides.”
A declaração do vice-presidente ocorre em um contexto tenso, onde a designação das facções como terroristas pelos Estados Unidos coincide com um encontro entre o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República. O encontro aconteceu em Washington na quarta-feira, 27 de maio, um dia após Flávio se reunir com o ex-presidente Donald Trump na Casa Branca, acompanhado de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que se encontra em autoexílio.
Além disso, investigações revelaram mensagens de áudio enviadas por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, solicitando apoio financeiro para a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo informações, o banqueiro teria se comprometido a destinar R$134 milhões ao projeto, dos quais R$61 milhões já teriam sido liberados.
O governo de Donald Trump, em sua nova administração, tem direcionado sua política externa para a América Latina, alegando a necessidade de combater o que classifica como narcoterrorismo. Nos últimos meses, as forças militares dos EUA realizaram ações diretas contra embarcações no Caribe, justificando tais atos como parte de uma luta contra o terrorismo. Além disso, a invasão do território venezuelano no início do ano, que resultou na deposição do presidente Nicolás Maduro, foi também defendida sob essa mesma justificativa.
A possibilidade de ações semelhantes em território brasileiro, tendo como base essa nova classificação, é um tema que gera preocupações e riscos, embora seu alcance ainda seja incerto.
