O vice-presidente Geraldo Alckmin reagiu à proposta americana de taxar produtos brasileiros em 25%. Ele garantiu que o governo Lula vai agir para barrar a medida antes de ser oficializada.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou como “extremamente injusta” e “totalmente descabida” a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, de acordo com a chamada Seção 301. Alckmin adiantou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalhará para que essa recomendação seja revertida antes de ser formalizada pelo presidente norte-americano.
Em entrevista coletiva realizada em Brasília, Alckmin defendeu o sistema de pagamentos instantâneos, o Pix, criado pelo Banco Central do Brasil em 2020. Ele garantiu que este ponto está fora de qualquer negociação com os Estados Unidos, ressaltando que o Pix “não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”.
“O Pix é um patrimônio nacional, é uma conquista do povo brasileiro, a tecnologia a serviço da sociedade e da economia, sem nenhum custo para as empresas e para a população. O Pix não tem a menor lógica entrar nisso porque ele não prejudica ninguém”, disse Alckmin.
Alckmin também denunciou a ação de “sabotadores” internos que, segundo ele, tentam prejudicar o país por interesses eleitorais. Ele afirmou que essa postura tem reflexo em questões como emprego e renda, além de impactar negativamente as empresas brasileiras e a sociedade.
“Sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores prejudicam, colocam os seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país e do interesse público”, afirmou o vice-presidente.
O vice-presidente ainda rebateu os argumentos dos Estados Unidos sobre o desequilíbrio nas transações comerciais, apontando que a balança comercial é “amplamente favorável” aos norte-americanos. Alckmin destacou que, no ano passado, o Brasil teve um superávit de US$ 40 bilhões em relação aos Estados Unidos. Ele mencionou que dos dez principais produtos exportados pelos EUA ao Brasil, oito possuem alíquota zero.
Além disso, Alckmin comentou sobre o protecionismo do governo Trump em setores como o do açúcar, onde o Brasil enfrenta uma sobretaxa de 80% sobre o excedente. “Há um desequilíbrio total em prejuízo do nosso país”, lamentou.
Sobre o desmatamento ilegal, o vice-presidente apontou os avanços do Brasil na agenda climática, ressaltando que o país tem registrado a maior queda no desmatamento nos últimos anos, com uma redução de mais de 50% na Amazônia. Ele reafirmou o compromisso do Brasil de zerar o desmatamento ilegal até 2030.
Alckmin enfatizou a intenção do governo brasileiro de intensificar o diálogo técnico com os Estados Unidos, por meio de um grupo de trabalho bilateral, visando reverter ou mitigar a taxação até o prazo final de 15 de julho. O vice-presidente relembrou que o diálogo entre as duas nações já ocorre e que reuniões bilaterais estão sendo organizadas.
