A interiorização da economia baiana tem se intensificado nos últimos anos, e Alagoinhas se destaca como um exemplo notável dessa transformação. Com uma localização estratégica, rica em recursos hídricos, incentivos fiscais e um crescimento na infraestrutura industrial, a cidade está atraindo investimentos significativos e diversificando sua matriz econômica, além do tradicional setor de bebidas.
Conhecida como a “capital da cerveja”, Alagoinhas abriga operações em diversos setores, incluindo bebidas, saúde, construção civil, petróleo e gás, logística e serviços. Esse movimento está de acordo com o estudo do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), que aponta uma redução da concentração econômica na Região Metropolitana de Salvador (RMS) e um fortalecimento dos polos produtivos no interior do estado.
De acordo com o levantamento, a participação da RMS no Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia caiu de 48,3% em 2009 para 39,4% em 2021. Em contrapartida, áreas do interior estão apresentando crescimento acima da média estadual, impulsionadas por setores como agronegócio, logística, construção civil e energias renováveis.
Com uma população de cerca de 151 mil habitantes, Alagoinhas conta com aproximadamente 2.601 empresas formais, que geram mais de 6,8 mil empregos no setor industrial. A indústria representa 31,34% do PIB municipal, estimado em R$ 5,7 bilhões, posicionando a cidade como a 14ª maior da Bahia.
A cidade está se preparando para uma nova fase de expansão industrial, com a Prefeitura definindo duas áreas de aproximadamente 1,7 milhão de metros quadrados para a ampliação do parque industrial, localizadas às margens das BRs 110 e 101, nas regiões de Narandiba e Boa União. A expectativa é que o novo parque entre em operação até dezembro de 2026.
Recentemente, Alagoinhas também se tornou um ponto importante para a indústria de insumos hospitalares, com a chegada da multinacional Pion G Plus, que inaugurou uma fábrica de produtos médico-odontológicos. A cidade tem atraído investimentos, como o da Otimiza Concretos, que contribui para a infraestrutura e gera centenas de empregos diretos e indiretos.
A localização geográfica de Alagoinhas é um dos principais diferenciais competitivos, pois é cortada por importantes rodovias federais e está próxima de centros como Salvador, Feira de Santana e o Recôncavo Baiano, tornando-se um ponto estratégico para a distribuição de mercadorias e serviços industriais.
“A qualidade da água foi decisiva para a implantação da fábrica na cidade”, afirma Richard Coronado, gerente industrial da Indústria São Miguel (ISM).
O setor de bebidas tem se fortalecido na cidade, com grandes grupos ampliando suas operações, como a ISM e o Grupo Petrópolis. Coronado destaca que a qualidade da água, captada do subsolo, impacta diretamente nos custos de operação, permitindo uma produção de cerca de 15 a 16 milhões de litros de bebidas por mês.
“Aqui conseguimos atender melhor toda a operação do Nordeste”, diz Leandro Faleta, da Nova Coating, que trabalha com revestimentos anticorrosivos para tubos de petróleo.
Além do setor de bebidas, a indústria de petróleo e gás também está em crescimento, com a Nova Coating atendendo operadoras como a Petrobras. A empresa, que atua com revestimentos para aumentar a durabilidade de tubos utilizados na extração de petróleo, optou por Alagoinhas devido a sua infraestrutura e logística.
