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Política

ADPF exige que PGR Gonet se declare impedido na apuração sobre Vorcaro

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 05/09/2026
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ADPF exige que PGR Gonet se declare impedido na apuração sobre Vorcaro
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ADPF solicitou o afastamento do PGR no caso dos diálogos que envolvem Daniel Vorcaro. A entidade diz estar 'indignada' com a apuração da conduta da Polícia Federal no relatório da Operação Compliance Zero.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu que o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido na investigação que envolve diálogos do banqueiro Daniel Vorcaro e conversas que citam o próprio Gonet. A entidade publicou uma nota em que manifestou “indignação” com a abertura de um procedimento para apurar a conduta da Polícia Federal na elaboração do relatório que mostra as conversas relativas ao material apreendido na Operação Compliance Zero.

Em entrevista, o presidente da associação, Edvandir Felix de Paiva, criticou o uso de um relatório de inteligência da Polícia Federal no inquérito das Fake News, por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a mesma entrevista, ele também defendeu a conduta da equipe policial que produziu o relatório sobre os diálogos após ordem judicial do então relator, ministro André Mendonça.

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Paulo Gonet enviou um ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, informando que pediu abertura de apuração e alegando suspeita de interferência indevida do ministro André Mendonça na Polícia Federal. O relatório da PF expôs a proximidade entre o dono do Banco Master e o procurador-geral. Horas após a divulgação do documento, o chefe do Ministério Público Federal pediu o arquivamento do caso. Em seguida, o Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu um procedimento para investigar a conduta do procurador-geral.

“O documento questionado foi produzido por determinação do Ministro então relator do feito no Supremo Tribunal Federal. Os Delegados e servidores que dele participaram cumpriram ordem judicial, nos estritos limites nela fixados, sem margem para juízo próprio de conveniência sobre o que lhes foi determinado pelo juízo competente”

Na nota, a ADPF afirmou que, se a Procuradoria-Geral da República entende que a decisão envolvendo o relatório foi irregular, “a via própria é o processo, perante o Supremo Tribunal Federal.” A associação argumentou que dirigir o questionamento aos executores da ordem judicial transfere a controvérsia para quem não é responsável pela decisão que determinou a produção do relatório.

“Dirigir o questionamento a quem cumpriu a ordem transfere aos executores uma controvérsia que não é deles”

A ADPF também lembrou que o relatório cita nominalmente o procurador e observou que o Código de Processo Penal estende as regras de impedimento e suspeição dos juízes aos órgãos do Ministério Público. A entidade afirmou que, independentemente de qualquer juízo sobre intenções, que a ADPF não formula, “o efeito objetivo da medida é intimidatório sobre os investigadores.”

“Independentemente de qualquer juízo sobre intenções, que a ADPF não formula, o efeito objetivo da medida é intimidatório sobre os investigadores”

Por fim, a associação formalizou o pedido para que o Procurador-Geral da República se declare impedido e se abstenha de praticar atos, “seja como fiscal da lei, seja como titular do controle externo, nos procedimentos relacionados aos fatos em que é citado”. Os delegados também requereram que o procedimento aberto pela PGR seja arquivado por entenderem ser via inadequada e pediram que os fatos revelados pela Operação Compliance Zero “sejam apurados em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas”.

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