Acordos de Abraão voltaram ao centro do debate diplomático no Oriente Médio após nova pressão de Donald Trump para que mais países árabes assinem o pacto de normalização com Israel, movimento que, segundo especialistas, aprofunda o isolamento dos palestinos e facilita futuras anexações da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.
Pressão renovada de Trump sobre aliados árabes
Durante tratativas paralelas envolvendo o Irã, Trump condicionou qualquer eventual acordo com Teerã à adesão de Arábia Saudita, Catar, Paquistão, Turquia, Egito e Jordânia aos Acordos de Abraão. O ex-presidente norte-americano destacou publicamente que a assinatura “imediata” de Riad e Doha deveria abrir caminho para os demais. Até o momento, apenas o Paquistão rejeitou a exigência.
Normalização sem resolução palestina
Firmados inicialmente por Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão, os acordos foram apresentados como ferramenta de estabilidade regional. A professora Rashmi Singh, da PUC Minas, ressalta que a iniciativa quebrou o consenso histórico de que a paz com Israel dependeria da criação de um Estado palestino. “Os países signatários priorizaram interesses econômicos e a contenção do Irã, deixando a causa palestina em segundo plano”, avaliou.
Consequências para a população palestina
Para o professor Mohammed Nadir, da UFABC, a expansão do pacto fortalece a política de Israel e dos Estados Unidos na região. “O objetivo é retirar Israel do isolamento diplomático após as ações militares em Gaza. Sem respaldo árabe, os palestinos ficam entregues à própria sorte”, afirmou.
A visão é compartilhada por analistas internacionais citados pela BBC, que apontam riscos de novas anexações e aumento da violência em territórios ocupados.
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Interesses econômicos e militares em jogo
Ao defender a adesão ampla, Trump argumentou que os países participantes já colhem “boom financeiro, econômico e social”. De fato, Emirados Árabes e Bahrein expandiram comércio e investimentos bilaterais com Israel desde 2020. Contudo, especialistas alertam que os ganhos econômicos podem vir acompanhados de custos políticos, pois reforçam a hegemonia israelense e a presença norte-americana no Oriente Médio.
Reação internacional recente
Organizações de direitos humanos denunciaram nas últimas semanas a intensificação de assentamentos na Cisjordânia e ataques de colonos, o que levou a União Europeia a impor sanções contra envolvidos. Paralelamente, Tel Aviv anunciou planos para ampliar o controle sobre a Faixa de Gaza para 70%, medida criticada inclusive por aliados como a Alemanha.
Enquanto isso, vozes acadêmicas advertem que o fracasso em avançar rumo a um Estado palestino pode acirrar tensões e minar iniciativas de paz de longo prazo. “Se a pressão de Trump prosperar, abre-se caminho para um cenário catastrófico aos palestinos”, concluiu Rashmi Singh.
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Crédito da imagem: Reuters
Fonte: Agência Brasil
