Acordo Mercosul e União Europeia tem “última chance”, diz chanceler — O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que a assinatura do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia pode ocorrer no sábado, 20 de dezembro, durante a reunião de cúpula do bloco sul-americano em Foz do Iguaçu (PR), e advertiu que esta será a derradeira oportunidade para concluir o entendimento.
Pressão para concluir o acordo Mercosul e União Europeia
Segundo Vieira, caso o acordo Mercosul e União Europeia não seja firmado agora, “não haverá mais o que negociar em termos substantivos”. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação, o chanceler ressaltou que, nesse cenário, Brasília direcionará “atenção e energias” a outros parceiros já alinhados para futuros tratados.
Maioria europeia favorável, mas França e Itália ainda resistem
O chefe do Itamaraty contou que “entre 20 e 22” dos 27 Estados-membros da União Europeia apoiam o tratado. Espanha, Portugal e Alemanha foram citados como “defensores sólidos e ferrenhos” do texto negociado há mais de duas décadas. Já França e Itália, lembrou ele, exigem ajustes relacionados à competitividade de seus setores agrícolas.
Vieira argumentou que a conjuntura internacional reforça a necessidade de concluir o pacto, capaz de funcionar como “rede de proteção econômica” para os blocos em meio a desequilíbrios no comércio global. A avaliação converge com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em reunião ministerial realizada em 17 de dezembro, avisou: “Se não fizer agora, o Brasil não fará mais enquanto eu for presidente”.
Expansão de mercados e novas cifras para as exportações brasileiras
Enquanto aguarda a definição com o bloco europeu, o governo brasileiro intensifica a abertura de frentes comerciais em outras regiões. Vieira informou que, em cinco anos, as novas tratativas podem acrescentar US$ 33 bilhões às vendas externas do país. Só o agronegócio conquistou acesso a 500 mercados nos últimos meses, resultado de missões presidenciais ao exterior.
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De acordo com a Comissão Europeia, a conclusão do acordo Mercosul-UE criaria a maior área de livre-comércio do planeta em população atendida, elevando o fluxo bilateral de bens industriais e agrícolas.
Consequências de um eventual fracasso
Para o Itamaraty, a não assinatura obrigará Brasília a acelerar negociações já abertas com nações asiáticas, africanas e do Oriente Médio. “Temos parceiros importantes na fila”, sublinhou o chanceler, indicando que a agenda de integração econômica não ficará paralisada mesmo se a União Europeia recuar.
Em síntese, autoridades brasileiras enxergam na cúpula de Foz do Iguaçu a derradeira chance de sacramentar um tratado que leva mais de 20 anos em discussão. Caso não haja consenso, Mercosul e União Europeia podem seguir rumos divergentes na busca por acordos bilaterais.
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Crédito da imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
