Absolvição de PMs acusados de matar o adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, provocou forte reação da Anistia Internacional, que classificou o julgamento como uma inversão de papéis ao transformar a vítima em réu.
Absolvição de PMs que mataram adolescente é criticada pela Anistia
Detalhes do julgamento
Em 11 de fevereiro de 2026, o Tribunal do Júri do Rio de Janeiro decidiu, por maioria, absolver os policiais militares Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal, que à época do crime pertenciam ao Batalhão de Choque. Eles respondiam pelo homicídio de Thiago, morto a tiros de fuzil em agosto de 2023 na comunidade Cidade de Deus, zona oeste da capital fluminense.
Posicionamento da Anistia Internacional
Em nota divulgada na madrugada de 12 de fevereiro, a Anistia Internacional classificou a decisão como “derrota na luta por justiça, memória e reparação” e repudiou o direcionamento do debate no plenário. Segundo a organização, a acusação contra os agentes foi eclipsada por tentativas de associar Thiago à criminalidade, estratégia que, na avaliação da ONG, viola o direito à memória e à dignidade do adolescente.
“Questionar a trajetória de Thiago não contribui para a Justiça; ao contrário, perpetua a violência”, ressalta o comunicado. A entidade também reiterou que mortes de crianças e jovens negros revelam um padrão de políticas de segurança “marcadas por práticas violentas e racistas”.
Como ocorreu o crime
Thiago estava na garupa de uma moto conduzida por Marcos Vinicius de Sousa Queiroz quando foi atingido pelas costas. Testemunhas afirmam que os policiais, em veículo descaracterizado, desceram atirando sem aviso. Marcos Vinicius sobreviveu, ferido na mão, e declarou em juízo que ambos estavam desarmados e não tinham ligação com o tráfico local. Laudos apontaram que o garoto foi alvejado primeiro nas pernas e, em seguida, no tronco.
Reações da sociedade civil
Família, defensores de direitos humanos e movimentos de mães de vítimas da violência do Estado também repudiaram o veredicto. Para a tia do adolescente, Ana Cláudia Oliveira, o resultado confirma o racismo estrutural no sistema judiciário: “Thiago foi julgado e condenado duas vezes”. O advogado Guilherme Pimental Braga, da Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência de Estado, denunciou o uso de “fake news” para criminalizar a vítima durante o processo.
A ativista Mônica Cunha, fundadora do Movimento Moleque, lembrou casos semelhantes, como o da menina Ágatha Félix, enfatizando a recorrência de absolvições de agentes envolvidos em mortes de jovens em favelas.
Próximos passos
Além do processo criminal, os réus respondem por fraude processual, acusação que pode resultar em sanções administrativas, cíveis e penais. A Anistia Internacional defende mudanças na política de segurança pública, com interrupção da lógica de militarização e responsabilização efetiva de agentes estatais envolvidos em operações letais.
O caso Thiago Menezes reforça o debate sobre violência policial e racismo no Brasil. Para acompanhar outras reportagens sobre justiça e direitos humanos, visite a editoria Justiça e mantenha-se informado.
Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
