Uma flor azul até então desconhecida pela ciência foi identificada no sul da Bahia, em uma área de Mata Atlântica. A espécie inédita recebeu o nome de Stachytarpheta forzzae e já nasce com um alerta grave: ela é considerada criticamente ameaçada de extinção.
A planta foi encontrada na Pedra do Oratório, um tipo de formação rochosa chamada de inselbergue — semelhantes ao Pão de Açúcar — localizada no município de Guaratinga. Esse tipo de ambiente é raro e abriga espécies altamente especializadas, muitas delas exclusivas desses locais.
🧠 Como a descoberta aconteceu
Tudo começou de forma inesperada. Fotos da flor foram publicadas na plataforma de ciência cidadã iNaturalist pelo pesquisador Cássio van den Berg, da Universidade Estadual de Feira de Santana. As imagens chamaram a atenção de Pedro Henrique Cardoso, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que percebeu que se tratava de algo fora do comum.
Até então, apenas uma espécie do gênero Stachytarpheta havia sido registrada em inselbergues. A suspeita levou à coleta de amostras no local — uma missão difícil, realizada com a ajuda de um morador da região, Wilton Silva dos Santos, destacando a importância do conhecimento local para a ciência.
📚 Reconhecimento científico e homenagem
A confirmação da nova espécie foi publicada no último dia 6 no periódico internacional Nordic Journal of Botany. O nome forzzae homenageia a botânica Rafaela Campostrini Forzza, pesquisadora do ICMBio e referência na conservação da flora brasileira.
⚠️ Por que isso importa
Além da raridade da coloração azul — incomum entre flores nativas brasileiras —, a descoberta reforça dois pontos centrais:
• a Mata Atlântica ainda guarda espécies desconhecidas
• a ciência cidadã pode ser decisiva para revelar e proteger a biodiversidade
Sem os registros feitos por usuários da plataforma, a Stachytarpheta forzzae poderia ter permanecido invisível por muitos anos — talvez até desaparecer sem nunca ter sido oficialmente conhecida.
