Acordo Mercosul União Europeia pode sofrer novo adiamento depois que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, pediu até um mês para contornar a resistência de agricultores italianos ao tratado, informou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pausa solicitada pela Itália trava assinatura imediata
Negociado há mais de 25 anos, o documento que unifica normas comerciais entre a União Europeia e o bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai deveria ser selado durante a Cúpula de Líderes do Mercosul, agendada para 20 de dezembro em Foz do Iguaçu (PR). No entanto, Meloni argumentou, em conversa com Lula, que ainda precisa de “uma semana, dez dias, no máximo um mês” para convencer o setor agrícola italiano a aceitar o pacto.
O pedido será submetido aos demais presidentes do Mercosul. Lula reconheceu o impasse, mas ressaltou a importância política do entendimento. Segundo ele, o acordo envolve 722 milhões de pessoas e movimenta aproximadamente US$ 22 trilhões em PIB somado. “É um passo fundamental para o multilateralismo”, afirmou.
França e Itália concentram maior resistência
A França segue como o principal opositor europeu, temendo perda de competitividade de seus produtores rurais. Agora, os italianos também pressionam. Lula recordou ter pedido até à primeira-dama francesa, Brigitte Macron, que sensibilizasse o presidente Emmanuel Macron sobre as salvaguardas agrícolas presentes no texto.
Enquanto o Parlamento Europeu ainda não vota a versão final, o líder brasileiro destacou que a União Europeia estaria em posição mais favorável do que o Mercosul em termos econômicos, mas que a relevância geopolítica justificaria a assinatura. “Quando dirigentes querem fazer, fazem”, declarou.
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Governo italiano confirma necessidade de esclarecimentos
Em nota oficial, o gabinete de Meloni reiterou disposição para assinar o tratado assim que a Comissão Europeia apresentar garantias consideradas essenciais pelos agricultores. O documento não estabeleceu data, mas citou definição breve.
No Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, acompanham as tratativas. À frente da presidência rotativa do Mercosul neste semestre, Lula já havia classificado esta como “a última chance” de concluir o pacto.
Com o apelo italiano em avaliação, os chefes de Estado do bloco devem aproveitar a reunião em Foz do Iguaçu para definir um novo cronograma. Caso o prazo extra seja aceito, a assinatura ficaria para início de 2026, após eventual aprovação no Parlamento Europeu.
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Crédito da imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: Marcelo Camargo/Agência Brasil
