Motta defende servidora alvo da PF e diz que decisão não aponta desvio O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), divulgou nota em defesa da servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal na última sexta-feira (12 de dezembro). Segundo Motta, o despacho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino não identificou desvio de recursos públicos.
Motta defende servidora alvo da PF e diz que decisão não aponta desvio
Na nota, Motta descreveu Fialek como “técnica competente, responsável e comprometida com a boa gestão da coisa pública”. Ele ressaltou que, durante a gestão de Arthur Lira na Câmara, a servidora foi fundamental para aprimorar sistemas de rastreabilidade de proposições e de emendas parlamentares.
Investigações sobre o orçamento secreto
A investigação concentra-se no suposto redirecionamento de verbas do chamado orçamento secreto, mecanismo em que emendas eram liberadas sem identificação do autor ou do beneficiário final. De acordo com a Polícia Federal, Fialek enviava ofícios que determinavam a liberação de recursos, principalmente para Alagoas, base eleitoral de Lira.
Decisão de Flávio Dino
Flávio Dino autorizou as diligências ao apontar indícios de atuação “contínua, sistemática e estruturada” na distribuição das verbas. Anotações manuscritas que teriam realocado recursos entre municípios foram comparadas pelos investigadores a uma “conta de padaria”. Mesmo assim, Motta destacou que o despacho não atribui apropriação ou desvio de verbas à servidora, lembrando que a execução final dos recursos cabe aos entes beneficiados e deve ser fiscalizada pelos órgãos de controle.
Detalhes da decisão podem ser conferidos diretamente no site do Supremo Tribunal Federal, que também proibiu o orçamento secreto e impôs critérios de transparência ao Legislativo.
Depoimentos que embasaram a operação
O inquérito foi aberto após depoimentos de seis parlamentares de diferentes partidos e de uma servidora da Câmara. Entre eles, Glauber Braga (Psol-RJ) e o senador Cleitinho (Republicanos-MG) relataram que Fialek encaminhava ordens de liberação de emendas. A PF afirma que, desde 2020, ela ocupou cargos estratégicos no Legislativo e em estatais indicadas por Lira, posição que a colocaria em condições de interferir na distribuição das verbas.
Os investigadores também sustentam que a servidora apagou mensagens em nuvem e manteve documentos físicos para dificultar o rastreamento digital. Por isso, o ministro autorizou a busca de papéis, computadores e celulares.
Próximos passos
Motta reiterou que qualquer irregularidade deve ser “devidamente apurada”, mas pediu que se diferencie a mera indicação de emendas da execução dos recursos. O parlamentar informou que seguirá colaborando para manter os sistemas de rastreabilidade e a transparência no uso do dinheiro público.
Quer acompanhar todos os desdobramentos deste caso e outras notícias do Congresso? Acesse nossa editoria de Política e continue informado.
Crédito da imagem: Lula Marques/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
