Agente da PRF vai a júri popular por morte de jovem no Rio
Agente da PRF Thiago da Silva Sá enfrentará júri popular pelos disparos de fuzil que vitimaram a estudante Anne Caroline Nascimento Silva e feriram o marido dela durante uma blitz na Rodovia Washington Luiz (BR-040), na zona norte do Rio de Janeiro.
Decisão da Justiça Federal
Em decisão divulgada recentemente, a 3ª Vara Federal Criminal do Rio manteve a acusação de homicídio qualificado consumado, homicídio qualificado tentado e lesão corporal grave culposa contra o policial rodoviário. A Corte entendeu que o servidor assumiu o risco ao atirar oito vezes com um fuzil, arma de alto poder destrutivo, contra um veículo em movimento.
O Ministério Público Federal (MPF) afirma que sete dos projéteis atingiram o carro da família. Um deles perfurou o banco do carona, causando ferimentos graves em Anne Caroline, que morreu horas depois no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.
Possível aumento de pena
Além de manter o julgamento popular, a Justiça reconheceu a possibilidade de aumentar a pena porque o agente descumpriu norma interna da corporação que proíbe disparos contra a traseira de automóveis perseguidos. Laudos periciais e depoimentos de testemunhas confirmam que todos os tiros partiram da direção em que estava a viatura da Polícia Rodoviária Federal.
Outros envolvidos
O também policial rodoviário Jansen Vinicius Pinheiro Ferreira, apontado na denúncia como autor moral dos disparos, não será levado a júri popular por falta de indícios suficientes. Os agentes Jansen, Diogo Silva dos Santos e Wagner Leandro Rocha de Souza foram absolvidos da acusação de fraude processual, pois o juízo entendeu que eles prestaram socorro às vítimas e não alteraram a cena do crime.
Thiago da Silva Sá responderá ao processo em liberdade até o julgamento, conforme decisão do magistrado.
Como ocorreu a blitz
O caso teve início em 23 de junho de 2023, quando uma operação de fiscalização da PRF abordou o carro conduzido por Alexandre Roberto Ribeiro Mello, marido da vítima. A viatura iniciou perseguição após suposta desobediência da ordem de parada. Durante a ação, oito disparos foram efetuados; um oitavo projétil ainda atravessou outro automóvel, ferindo de raspão uma passageira que sobreviveu.
Informações sobre protocolos de uso de força da PRF podem ser consultadas no site oficial do Ministério da Justiça (www.gov.br/mj).
O julgamento popular ainda não tem data definida. Caso seja condenado, o agente poderá pegar pena de mais de 20 anos de prisão, conforme o Código Penal.
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Crédito da imagem: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
