Acordo de paz na Ucrânia está “muito próximo”, diz enviado dos EUA
Acordo de paz na Ucrânia está “muito próximo”, segundo o enviado especial dos Estados Unidos, Keith Kellogg, que apontou apenas duas questões pendentes para a conclusão das negociações: o futuro do território de Donbas e o controle da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa.
Acordo depende de Donbas e da usina de Zaporizhzhia
Kellogg explicou, durante participação no Fórum de Defesa Nacional Reagan, em Simi Valley, Califórnia, que as tratativas chegaram aos “últimos 10 metros” — fase que considera a mais difícil. O diplomata deixa o cargo em janeiro, mas confia que as partes cheguem a um consenso antes disso.
A ofensiva russa na Ucrânia começou em fevereiro de 2022, após oito anos de conflito entre separatistas apoiados por Moscou e forças ucranianas na região de Donbas, formada pelas províncias de Donetsk e Luhansk. Ao longo de quase três anos de guerra aberta, milhares de civis e militares perderam a vida, tornando-se o confronto mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Moscou exige “mudanças radicais” nos documentos
Mesmo com o otimismo de Washington, o Kremlin sinalizou que ainda há entraves. O principal assessor de política externa do presidente Vladimir Putin, Yuri Ushakov, declarou em 7 de dezembro que os Estados Unidos precisam promover “mudanças sérias e radicais” em suas propostas. Embora não tenha detalhado quais ajustes espera, o comentário indica divergências sobre as reivindicações territoriais russas em Donbas.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reiterou que qualquer cessão de território precisaria passar por referendo popular e alertou que a entrega total de Donetsk daria à Rússia uma base para futuros ataques mais profundos em solo ucraniano.
Reuniões de alto nível buscam destravar impasse
Na semana anterior, Putin recebeu no Kremlin o empresário Steve Witkoff, representante do ex-presidente Donald Trump, e o genro do ex-mandatário, Jared Kushner. Durante as quatro horas de diálogo, foram debatidos “problemas territoriais”, conforme relato de Ushakov. No dia seguinte, Zelensky manteve uma conversa “longa e substancial” por telefone com Witkoff e Kushner para discutir os mesmos pontos.
Além de Donbas, a usina nuclear de Zaporizhzhia — ocupada por tropas russas desde março de 2022 — permanece no centro das discussões. A segurança da instalação preocupa a comunidade internacional, inclusive a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que monitora o local. De acordo com a agência Reuters, técnicos da AIEA não conseguem acesso irrestrito a todas as áreas da planta, aumentando o risco de incidentes.
Embora faltem ajustes nas questões territoriais e nucleares, Kellogg ressalta que os demais capítulos — como reparações, corredores humanitários e garantias de segurança — avançam de forma satisfatória e podem ser finalizados rapidamente, caso Moscou e Kiev cheguem a um entendimento sobre Donbas e Zaporizhzhia.
Quer acompanhar as próximas atualizações sobre o conflito e as negociações de paz? Visite nossa editoria Internacional e continue informado.
Crédito da imagem: REUTERS/Valentyn Ogirenko
Fonte: REUTERS/Valentyn Ogirenko
