O líder da oposição obteve 67 votos no Knesset, contra 46 de Netanyahu, com 7 abstenções. O resultado inclui apoio de partidos árabes e garante a Eisenkot cinco votos além do mínimo para tentar montar governo.
Gadi Eisenkot, líder da oposição no parlamento israelense, deve ser o substituto de Benjamin Netanyahu na posição de primeiro‑ministro de Israel, após ter conseguido, na quinta‑feira (5), amplo apoio parlamentar, inclusive com respaldo dos partidos árabes.
No Knesset, Eisenkot alcançou a indicação de 67 parlamentares, enquanto Netanyahu obteve 46. Houve ainda 7 abstenções. A soma deixou Eisenkot cinco apoios acima do mínimo formalmente exigido para receber a missão de tentar formar governo.
Gadi Eisenkot nasceu em 19 de maio de 1960, em Tiberíades. Alistou‑se em 1978 nas Forças de Defesa de Israel (IDF) e iniciou sua carreira na Brigada Golani. Construiu trajetória de mais de 40 anos nas forças armadas e chegou ao topo da hierarquia militar como o 21.º Chefe do Estado‑Maior Geral da IDF, cargo que exerceu de 2015 até janeiro de 2019, quando foi sucedido pelo tenente‑general Aviv Kohavi.
Eisenkot foi eleito membro do parlamento na 25ª legislatura do Knesset pelo Partido da Unidade Nacional, em 2022. No parlamento, presidiu a Subcomissão de Doutrina de Segurança e Desenvolvimento de Força e integrou o Comitê de Relações Exteriores e Defesa, além de outras subcomissões ligadas à segurança e inteligência até 2024, quando deixou o governo e retomou a atuação como deputado de oposição.
Dificuldade para assumir
Apesar de ter recebido mais indicações do que o necessário, o presidente Isaac Herzog — a quem cabe indicar quem será encarregado de negociar a formação de um governo — permanece resistente. Herzog disse que revelará sua decisão no domingo, após nova rodada de conversas com líderes partidários.
“Os resultados das consultas parecem claros. Mas a autoridade que me foi concedida por lei é a de determinar quem tem a capacidade de formar um governo, e isso não está totalmente claro à luz dos vetos mútuos entre os blocos e dentro dos próprios blocos.”
Há relatos de que Herzog trabalha nos bastidores para tentar um governo de unidade nacional que reúna partidos judaicos sionistas, uma fórmula que excluiria tanto as legendas árabes quanto as ultraortodoxas.
Protestos marcaram a quinta‑feira: manifestantes se reuniram em frente à casa do presidente, em Jerusalém, pedindo um governo de unidade entre Netanyahu e Eisenkot. Em outra parte da cidade, houve manifestações a favor da participação dos partidos árabes no futuro governo.
“A decisão atende à demanda popular de impedir o retorno de Netanyahu ao poder”
— afirmou a Lista Unida em comunicado ao anunciar apoio a Eisenkot. O partido Ra’am já havia manifestado apoio ao candidato. As legendas árabes obtiveram um número recorde de 19 deputados nas eleições legislativas do dia 27.
Horas antes, o partido Judaísmo Unido da Torá (JUT), aliado de Netanyahu por décadas, optou por se abster diante de desavenças sobre o serviço militar de estudantes de escolas religiosas, enfraquecendo as chances de Netanyahu receber a missão para formar governo.
Pressão política
O partido Yashar pediu ao presidente que indique Eisenkot, que é presidente da legenda, para a missão de formar o governo, ressaltando que o total de apoios é o maior desde 2015. O texto do partido afirma que os resultados mostram que os israelenses “optaram pela mudança” e expressaram “completa falta de confiança” em Netanyahu.
“Binyamin Netanyahu é um primeiro‑ministro interino liderando uma minoria de apenas 46 cadeiras. Ele não tem mandato, não tem maioria e não goza da confiança do público.”
São necessários 61 deputados para a maioria dos 120 assentos do Knesset; ninguém alcançou esse número nas eleições. O bloco de Netanyahu ficou com 53 assentos, ante 48 do grupo opositor, e desde então as negociações para formar alianças continuam.
Após reunião com o presidente, o líder do Ra’am declarou apoio aos esforços de Eisenkot e disse que o partido estenderia a mão para ajudar a afastar Netanyahu do poder. Herzog tem até quarta‑feira para formalizar sua decisão. O candidato designado terá 28 dias para formar um governo, prazo que pode ser prorrogado por mais 14 dias; se fracassar, outra pessoa será encarregada e, em caso de persistência do impasse, novas eleições poderão ser convocadas.
Resistências internas no bloco anti‑Netanyahu e receios de parte do eleitorado judaico, numa sociedade ainda marcada pelos ataques de 7 de outubro de 2023, tornam incerta a aceitação de acordos com partidos árabes. Uma alternativa poderia ser um governo minoritário liderado por Eisenkot com apoio indireto dos partidos árabes, fórmula recusada por parte importante da oposição, como o nacionalista Avigdor Liberman.
Netanyahu tem explorado essas resistências em sua retórica, repetindo acusações aos partidos árabes que considera inaceitáveis para parte do eleitorado.
