Paulo Henrique Costa afirmou à PF que, em setembro de 2024, Ibaneis Rocha mandou estruturar a venda de participação do BRB ao Banco Master. Segundo ele, o pedido foi feito em jantar com Daniel Vorcaro.
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou à Polícia Federal que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), determinou a estruturação, em setembro de 2024, de uma operação para vender participação acionária do banco ao Banco Master.
Segundo o depoimento de Costa, ele recebeu um convite para um jantar que contou com a presença de Ibaneis e de Daniel Vorcaro, à época proprietário do Master. Durante o encontro, conforme relatado pelo ex-presidente aos investigadores, o governador pediu que ele organizasse a venda de parte das ações do BRB.
“Paulo, estruture uma venda do BRB para o Master”
De acordo com o depoimento, a operação envolveria cerca de 16% das ações do BRB que pertenciam ao Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal. Costa relatou também que já mantinha negócios com o Master por meio de operações de cessão de crédito, e que a compra de carteiras de crédito pela instituição privada está no centro das investigações.
A Polícia Federal identificou indícios de que o Master teria inflado o valor dos ativos transferidos ao BRB, segundo o relato presente no depoimento. Costa disse ter estranhado a proposta e comparou a operação a uma espécie de privatização disfarçada.
Ainda conforme o ex-presidente, Vorcaro demonstrou preocupação com a possibilidade de mudanças no comando do governo e teria defendido a celebração de um acordo de acionistas que garantisse influência sobre o BRB. No dia seguinte ao jantar, Costa afirmou que procurou Ibaneis para contestar a venda, alegando que o banco apresentava bons resultados e desempenhava papel relevante em programas sociais do Distrito Federal.
O depoimento de Costa também tratou da criação de uma holding financeira envolvendo as duas instituições. Uma minuta de acordo previa que o ex-presidente assumisse a presidência da nova empresa, deixasse a direção do BRB e se desvinculasse de cargos públicos.
Além das negociações sobre ações e carteiras de crédito, o depoimento trouxe menção a imóveis de alto padrão ligados a Vorcaro que teriam sido colocados à disposição de Costa. Segundo ele, a eventual transferência para a holding exigiria residência em São Paulo, razão pela qual condicionou sua participação à garantia de moradia na capital paulista.
A investigação da Polícia Federal apura, entre outros pontos, se seis imóveis localizados em São Paulo e no Distrito Federal foram utilizados como pagamento de propina para viabilizar operações com carteiras de crédito do Master.
O conteúdo do depoimento preserva o teor das informações prestadas aos investigadores e mantém o relato de Costa sobre os contatos, a proposta de venda e os elementos que motivaram a apuração.

