Reserva estratégica reúne antígenos com vírus inativado e terá capacidade para 10 milhões de doses. Vacinas poderão ser produzidas em até quatro dias e entregues ao governo em até sete, diz Fabrício Bortolanza.
O Brasil terá um banco de antígenos capaz de responder a uma eventual reintrodução do vírus da febre aftosa no rebanho nacional. A estrutura terá capacidade para atender até 10 milhões de doses e permitirá produzir vacinas em até quatro dias, com disponibilização ao governo brasileiro em até sete dias, segundo Fabrício Bortolanza, médico-veterinário e gerente de relações governamentais e assuntos regulatórios da Biogénesis Bagó Brasil.
Em entrevista ao programa A Força do Agro, apresentado por Joice Maffezzolli, Bortolanza explicou que a reserva estratégica reúne antígenos com o vírus inativado, armazenados sob congelamento, e que esse material permite formular vacinas em caso de emergência sanitária.
A opção por manter antígenos, em vez de vacinas prontas, considera a validade dos produtos. Os antígenos podem permanecer congelados por mais de dez anos, enquanto as vacinas prontas têm validade de dois anos. Segundo a explicação dada na entrevista, esse modelo busca também evitar o desperdício de recursos públicos com doses que poderiam vencer sem utilização.
A estrutura resulta de uma parceria entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Biogénesis Bagó, responsável pela produção e pelo armazenamento dos antígenos.
Ceptas contempladas no banco
- O Campos: incluída entre as duas cepas armazenadas.
- A24 Cruzeiro: incluída entre as duas cepas armazenadas.
A seleção das cepas levou em conta estudos epidemiológicos e a avaliação dos riscos de reintrodução do vírus no país, segundo o material divulgado sobre o banco. Em caso de suspeita da doença, os órgãos estaduais de vigilância sanitária atuarão com o Mapa e com o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (Panaftosa) para identificar e caracterizar o vírus. Esse procedimento é apontado como fundamental para definir a estratégia de controle e escolher a vacina adequada.
Sintomas que merecem atenção
- Queda no consumo de alimentos: pode indicar adoecimento do animal.
- Dificuldade de locomoção: alteração observada em casos suspeitos.
- Lesões entre os dedos: sinal característico que exige investigação.
- Salivação intensa: outro sintoma que deve ser comunicado às autoridades.
Como outras doenças podem apresentar sintomas semelhantes, o diagnóstico dependerá da avaliação dos serviços veterinários oficiais. O produtor deve comunicar imediatamente o órgão responsável em seu Estado ao identificar qualquer sinal suspeito.
Bortolanza também ressaltou a importância de manter os demais protocolos sanitários, incluindo a vacinação contra outras enfermidades, o controle de parasitas, a atenção à movimentação de animais e as medidas de biosseguridade para reduzir o risco de entrada e disseminação de agentes infecciosos.
O reconhecimento internacional do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação amplia as oportunidades de acesso a mercados exigentes. A manutenção desse status, porém, dependerá da vigilância contínua, da capacidade de resposta a emergências e da atuação conjunta entre produtores e autoridades sanitárias.
