A apenas cinco dias do segundo turno da eleição presidencial, o mercado financeiro continuou reagindo às pesquisas eleitorais que, em sua maioria, vinham mostrando o senador Flávio Bolsonaro (PL) em vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Na manhã desta terça-feira, 20, pouco depois da abertura do pregão, o dólar operava em queda firme frente ao real, sendo negociado por volta de R$ 5, enquanto a Bolsa de Valores registrava valorização superior a 1%.
Por volta das 10h40 (horário de Brasília), o dólar operava em baixa de 0,45% e era negociado a R$ 5,026. Na cotação máxima do dia até o momento, a moeda dos Estados Unidos bateu R$ 5,042. A mínima era de R$ 5,011. Na véspera, o dólar encerrou a sessão em queda de 0,49%, cotado a R$ 5,048. Com o resultado, a moeda norte-americana acumulava perdas de 2,44% em outubro e de 8,03% em 2026.
O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), operou no azul na abertura do pregão desta terça-feira. Às 10h49, o índice avançava 1,33%, aos 207.807,99 pontos. Na pontuação máxima até então, o Ibovespa cravou 208.104,02 pontos, com mínima de 205.082,27 pontos.
Um dos destaques no mercado de ações foi a valorização dos papéis da Americanas, que subiram mais de 18% na manhã, cotados a R$ 7,05. Na véspera, a Justiça decretou o encerramento da recuperação judicial da companhia. No dia anterior, o Ibovespa havia fechado em leve baixa de 0,17%, aos 205 mil pontos. Com o desempenho recente, a bolsa brasileira acumulava ganhos de 10,06% no mês e de 27,28% no ano.
As eleições presidenciais concentravam as atenções do mercado, com a votação que definirá o próximo presidente da República marcada para domingo, dia 25 de outubro. Depois de uma semana de ajustes e correções, o Ibovespa operou nesta semana sob forte influência do processo eleitoral, que entrou em sua reta final.
Desde segunda-feira, investidores vinham repercutindo o debate entre os dois candidatos na noite de domingo, 18, na TV Bandeirantes, e novos números de pesquisas eleitorais. Segundo o levantamento do BTG/Nexus, por exemplo, Flávio liderava, com 50,3% das intenções de voto contra 49,7% de Lula em votos válidos. A pesquisa do PoderData/Aya mostrou o candidato do PL com 52% das intenções de voto, ante 48% de Lula.
Nesta terça-feira, outras duas pesquisas mostraram Flávio à frente de Lula. Segundo o levantamento do Real Time Big Data, o candidato do PL marcou 52% ante 48% do petista. O instituto Alfa Inteligência, por sua vez, indicou que Flávio tinha 51,5% e Lula, 48,5%.
Havia expectativa de que uma possível vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial pudesse mudar os rumos da economia do país a partir de janeiro de 2027. O mercado esperava que um novo governo implementasse um programa de ajuste fiscal, com redução de despesas públicas e diminuição do tamanho da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto. Também havia expectativa quanto a uma agenda de reformas, incluindo reforma administrativa e nova etapa da previdenciária, e projeções que apontavam para possível redução da taxa básica de juros (Selic) em caso de alívio da inflação.
Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad,
o grande direcionador das expectativas continua sendo a corrida eleitoral presidencial, com os agentes econômicos reagindo de forma bastante atenta às recentes pesquisas de intenção de voto e às perspectivas sobre o controle das contas públicas.
Além da influência das eleições, os investidores também estão de olho na temporada de balanços corporativos nos EUA e no comportamento do câmbio. O dólar iniciou os negócios operando em queda frente ao real, o que reflete a entrada de fluxo estrangeiro e contribui para a melhora do humor na bolsa. A sustentação desse viés de alta ao longo do dia dependerá de como o mercado continuará digerindo as notícias externas e os resultados de grandes empresas de tecnologia globais, mantendo o pregão dinâmico e sujeito a volatilidades pontuais.
