O ex-vereador Milton Leite (União) deixou a Cadeia Pública de Mogi das Cruzes e foi levado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos na manhã desta terça-feira, 20. A transferência foi efetuada pela polícia após investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre supostos privilégios concedidos a ele enquanto estava na carceragem.
Leite estava preso desde o dia 18 de setembro por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema envolvendo empresas de transporte público. A mudança de unidade prisional ocorreu por volta das 9h e teve como objetivo, segundo as investigações, interromper as irregularidades apontadas pelos investigadores.
Em função das apurações, três delegados, um investigador e um carcereiro que atuavam em Mogi das Cruzes foram afastados das funções. O MP-SP identificou que o ex-vereador receptava favores não permitidos aos demais custodiados, como visitas fora dos dias e horários autorizados, inclusive à noite e nos fins de semana, além da entrada irregular de alimentos e da permanência de familiares na unidade.
“não recebe nem recebeu nenhum tipo de regalia ou tratamento diferenciado”; “submetido às mesmas regras, rotinas e restrições”
Uma denúncia anônima deu origem às investigações que apontaram as supostas irregularidades. Entre os nomes que teriam ido ao local sem autorização formal estão Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e Rogério Franco (PL). O MP-SP também apurava a entrada de alimentos e a permanência de familiares na carceragem.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Custódia (In)Fiel na sexta-feira, 16, e apreendeu R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro apontado como facilitador dos privilégios. O Ministério Público avaliou que os fatos poderiam configurar corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação.
A defesa do ex-vereador divulgou nota contestando as acusações e afirmou que Leite não recebeu tratamento diferenciado. Em nota, os advogados disseram que ele “não recebe nem recebeu nenhum tipo de regalia ou tratamento diferenciado” e que está “submetido às mesmas regras, rotinas e restrições” dos demais custodiados.
Leite se apresentou à polícia em 18 de setembro, depois de ser considerado foragido pela polícia. A Justiça prorrogou a prisão temporária por mais 30 dias enquanto os investigadores continuam apurando a suspeita de participação no esquema entre o grupo criminoso e empresas de ônibus da capital paulista.
