Apenas em 1994 e 1998 Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro turno, com 54,28% (34.377.829 votos) e 53,06% dos votos válidos, respectivamente. Em 1994, Lula ficou em segundo com 27,04%.
Desde a redemocratização, apenas duas eleições presidenciais foram decididas no primeiro turno: as de 1994 e 1998. Nas duas ocasiões, o vencedor foi Fernando Henrique Cardoso, que alcançou a maioria necessária entre os votos válidos para evitar a realização de uma segunda votação.
Em 1994, Fernando Henrique Cardoso recebeu 34.377.829 votos e alcançou 54,28% dos votos válidos. O segundo colocado naquela disputa foi Luiz Inácio Lula da Silva, que somou 27,04% dos votos válidos. Quatro anos depois, já como presidente e candidato à reeleição, Fernando Henrique recebeu 53,06% dos votos válidos; Lula voltou a ficar em segundo lugar, com 31,71%.
A eleição por maioria simples entre os votos válidos é a regra que determina se haverá ou não segundo turno. A lei exige que o candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, sem contar votos em branco e nulos, para ser eleito no primeiro turno. Esse critério é determinante para transformar contagens de voto em vitória direta ou em disputa ampliada para uma nova votação.
Na corrida presidencial de 2026, nenhum candidato atingiu esse patamar de mais da metade dos votos válidos. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos e Lula, com 45,16%, levando a disputa para 25 de outubro. Com esse resultado, a eleição voltará a ter duas etapas, e o eleitorado verá uma nova rodada de campanha até a data do segundo turno.
Historicamente, a ocorrência de vitória no primeiro turno foi rara desde o retorno do país ao regime democrático. A experiência das eleições de 1994 e 1998 mostra que, mesmo com o mesmo candidato vencedor em ambos os pleitos, os percentuais e o contexto político mudaram entre uma disputa e outra. A regra que exclui brancos e nulos do cálculo dos votos válidos permanece o fator técnico que decide se uma eleição termina já no primeiro turno ou segue para a votação final.
Para o eleitor e para os agentes políticos, a diferença entre alcançar ou não a maioria dos votos válidos tem consequências práticas imediatas: mobilização de campanhase reorientação de estratégias para os dias que antecedem o segundo turno, no caso de haver necessidade de nova votação.
