Christopher Landau inicia em 19/10 visita a Assunção e Buenos Aires até 26/10; a missão coincide com o segundo turno brasileiro em 25/10. O Departamento de Estado divulgou o roteiro.
O número 2 da diplomacia americana, Christopher Landau, inicia nesta segunda-feira, 19, uma viagem a dois países que fazem fronteira com o Brasil, na semana decisiva da eleição presidencial brasileira. A missão do vice-secretário de Estado, principal substituto de Marco Rubio, está prevista até 26 de outubro e inclui visitas a Assunção, no Paraguai, e a Buenos Aires, na Argentina.
O período da viagem abrange o segundo turno brasileiro, marcado para este domingo, 25 de outubro: a missão começa seis dias antes da votação e termina no dia seguinte. O roteiro anunciado pelo Departamento de Estado na última sexta-feira, 16, não inclui passagem pelo Brasil e, apesar da coincidência com o calendário eleitoral, o comunicado não menciona a disputa brasileira nem apresenta a missão como uma mensagem ao governo em Brasília.
Landau será acompanhado por Juan Pablo Segura, secretário-adjunto de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, responsável pela área que acompanha as relações de Washington com os países das Américas. No Paraguai, o vice-secretário liderará uma delegação de empresas americanas interessadas em oportunidades de investimento. Também estão previstos encontros com autoridades para discutir a ampliação do comércio, a cooperação em segurança regional e o combate ao crime transnacional.
Na Argentina, a agenda envolve reuniões com representantes do governo e do setor privado sobre o Corredor Andes-Atlântico, iniciativa lançada pelos dois países durante a semana de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas. As conversas terão como objetivos estimular o crescimento econômico, ampliar investimentos americanos e fortalecer a cooperação em segurança.
A missão ocorre em meio a cobranças de parlamentares americanos sobre a posição do governo Trump diante das eleições brasileiras. No dia 24 de setembro, 31 deputados questionaram medidas econômicas, políticas e diplomáticas adotadas por Washington e pediram um compromisso de respeito ao resultado eleitoral. Outras manifestações de congressistas ocorreram nas semanas seguintes.
Os Estados Unidos apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo
Em resposta assinada na última quinta-feira, 15, e encaminhada à deputada Delia Ramirez, o Departamento de Estado declarou a frase acima. O documento foi assinado por Katherine Bowles, secretária-assistente para Assuntos Legislativos. A diplomacia americana também afirmou que continuará dialogando com a população brasileira, o setor privado e o governo eleito, com foco em segurança, comércio e investimentos.
O texto oficial, porém, não apresentou uma garantia explícita de reconhecimento do resultado das urnas, como haviam solicitado os parlamentares. A ausência dessa garantia não equivale a um anúncio de que Washington rejeitará o resultado.
No comunicado que anunciou a viagem, o Departamento de Estado apresentou a missão como uma iniciativa econômica e de segurança, sem vínculo declarado com a eleição no Brasil. A presença de Landau nos países vizinhos ocorre durante a reta final da disputa eleitoral brasileira, enquanto autoridades e observadores acompanham os desdobramentos políticos na região.
