O Ministério Público espanhol mudou de posição e pediu que a Audiência Nacional avalie denúncias de supostas agressões sexuais feitas por duas ex-funcionárias. Um juiz decidirá se autoriza a investigação.
O Ministério Público da Espanha deu uma guinada de 180 graus e agora defende a abertura de uma investigação contra o cantor Julio Iglesias por suposta agressão sexual contra duas ex-funcionárias, informaram nesta quinta-feira (15) fontes do MP.
Um juiz deve decidir se efetivamente inicia as investigações. As fontes disseram que o Ministério Público emitiu um parecer favorável à competência da Audiência Nacional, um tribunal em Madri especializado em casos complexos e em crimes cometidos por espanhóis no exterior, para analisar os fatos.
As fontes não explicaram o motivo da mudança de critério neste caso contra o artista. Quando as duas ex-funcionárias apresentaram a primeira denúncia, em janeiro, o Ministério Público considerou que a Audiência Nacional não era competente porque os fatos teriam sido cometidos no exterior e tanto as supostas vítimas quanto o acusado residiam fora da Espanha. Naquele momento, o caso acabou arquivado.
Depois desse primeiro revés, as duas mulheres apresentaram uma nova denúncia em setembro. Segundo a nova peça apresentada ao órgão, elas afirmam ter sofrido agressões sexuais e maus-tratos quando trabalhavam nas propriedades do cantor, de 83 anos, nas Bahamas e na República Dominicana, em 2021.
O documento do Ministério Público avaliando a competência da Audiência Nacional foi encaminhado para decisão judicial, e caberá ao juiz responsável confirmar se a corte será a instância adequada para instruir o processo e eventualmente abrir investigação formal.
Na trajetória pública do artista, consta que Julio Iglesias vendeu mais de 300 milhões de discos ao longo da carreira. Em resposta às acusações, o cantor negou os relatos e contestou as alegações.
“Absolutamente falsas” — e negou “ter abusado, coagido ou desrespeitado qualquer mulher”.
O caso continuará sob acompanhamento judicial enquanto se aguarda a decisão do juiz sobre a competência para prosseguir com as investigações. Não foram detalhados pela parte que divulgou o parecer do MP os fundamentos que motivaram a reversão da posição inicial nem eventuais prazos para as próximas etapas do processo.
