O 1º turno colocou a família Bolsonaro no centro das atenções internacionais. Flávio superou pesquisas, abriu vantagem em momentos da apuração e garantiu vaga no segundo turno; outros parentes também foram eleitos.
O resultado das eleições deste domingo (4) colocou novamente a família Bolsonaro no centro das atenções internacionais. Além da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a presença de múltiplos membros da família em posições eletivas reforçou a narrativa de continuidade política em torno do sobrenome.
Flávio Bolsonaro surpreendeu ao superar as expectativas de pesquisas na reta final da campanha, abrir vantagem sobre o presidente em diferentes momentos da apuração e terminar o primeiro turno à frente, garantindo vaga no segundo turno marcado para 25 de outubro. Como nenhum dos dois alcançou mais de 50% dos votos válidos, a eleição será decidida nessa nova etapa.
O fenômeno foi observado e analisado por veículos estrangeiros. Antes mesmo da votação, a Al Jazeera já havia dedicado uma reportagem ao tema, questionando por que a família continua com forte presença na política brasileira. A revista americana Jacobin chegou a se referir a Flávio como herdeiro de uma “Bolsonaro political dynasty”.
Na cobertura do dia, a Reuters descreveu o senador como o filho que tenta devolver ao poder o movimento de direita construído pelo pai e colocou o resultado brasileiro no contexto de avanços de candidatos de direita em outros países da América Latina. A Associated Press apresentou Flávio como aliado de Donald Trump e relacionou o avanço no Brasil com vitórias de forças políticas próximas ao presidente americano na região.
O Guardian destacou a surpresa causada pelo desempenho da direita brasileira, citando não só a vantagem de Flávio sobre Lula no primeiro turno, mas também a sequência de vitórias de candidatos bolsonaristas para o Congresso e governos estaduais. A NPR, ao explicar a eleição ao público americano, descreveu Flávio como parte de uma “dinastia política de direita” e chamou atenção para as implicações além das fronteiras nacionais, dada a importância geopolítica do Brasil.
Além de Flávio, outros membros da família ampliaram sua presença no Congresso. Michelle Bolsonaro foi eleita senadora pelo Distrito Federal. Carlos Bolsonaro conquistou uma vaga no Senado por Santa Catarina e, com 93,8% das seções totalizadas, aparecia com 25,2% dos votos, o que já o colocava matematicamente eleito para uma das duas vagas do estado. Jair Renan Bolsonaro foi eleito deputado federal por Santa Catarina, e Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, obteve uma cadeira na Câmara por São Paulo. No total, quatro integrantes da família garantirão assentos no Congresso Nacional.
Outra dimensão apontada pela imprensa internacional é o contraste entre a situação pessoal de Jair Bolsonaro e a força eleitoral da família: o ex-presidente permanece preso e ficou de fora da disputa eleitoral, mas seu sobrenome seguiu presente em corridas importantes pelo país.
Para observadores estrangeiros, uma eventual vitória de Flávio poderia aproximar o Brasil de recentes governos de direita na região e fortalecer laços com a administração Trump, enquanto uma vitória de Lula manteria diferenças em temas comerciais, diplomáticos e de segurança. O próximo capítulo dessa disputa será decidido em 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro e Lula voltarão às urnas para definir o comando do país pelos próximos quatro anos.
