A discussão sobre Tebet reaparece com a aproximação de 2026. Seu histórico de votos, a base em Mato Grosso do Sul e posições econômicas ajudam a explicar seu papel entre os moderados.
A pergunta sobre se Simone Tebet é de direita ou de esquerda volta a crescer no debate público à medida que se aproximam as eleições de 2026. A resposta não é simples: passa pelo histórico de votações, pela trajetória regional e pela atuação no comando da economia federal. Entender esse posicionamento ajuda a decifrar como forças moderadas tentam ocupar espaço no Congresso e nas disputas estaduais.
As raízes políticas da ex-senadora estão em Mato Grosso do Sul, onde construiu carreira em Três Lagoas e na política estadual. Filha do ex-presidente do Congresso Ramez Tebet, sua base de apoio foi construída em uma região fortemente ligada ao agronegócio. Em mandatos como prefeita, vice-governadora e senadora, sua atuação foi marcada pela defesa da responsabilidade fiscal e por incentivos à iniciativa privada e ao setor produtivo.
Na fase em que era filiada ao MDB, suas posições no Senado costumavam agradar ao eleitorado conservador e ao mercado financeiro. Ela defendeu reformas como a trabalhista e a previdenciária, agendas comumente associadas ao centro-direita. Esse alinhamento também lhe rendeu apoio de associações de produtores rurais e uma imagem de parlamentar com perfil liberal na economia, focada em reduzir o tamanho do Estado e controlar a inflação.
Ao mesmo tempo, houve movimentos de distanciamento da direita mais radical. Durante os trabalhos da CPI da Pandemia, em 2021, a postura adotada nas investigações e as cobranças por vacinas aproximaram seu posicionamento de setores mais progressistas, indicando uma transição de imagem e abertura ao diálogo com diferentes campos ideológicos.
A experiência no governo federal foi outro teste. A entrada no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou a ex-ministra do Planejamento e Orçamento — cargo que ocupou até março de 2026 — na tarefa de conciliar sua visão liberal com as demandas por maiores investimentos sociais. No ministério, participou da elaboração do novo arcabouço fiscal destinado a substituir o antigo teto de gastos e defendeu a ideia de que políticas sociais sustentáveis dependem de credibilidade fiscal. Ao mesmo tempo, atuou para recompor verbas de saúde e educação, articulando repasses conforme a previsão de arrecadação.
Ela passou por mudança partidária no início de 2026, quando deixou o MDB e filiou-se ao PSB, buscando viabilizar candidatura em São Paulo. A transferência de domicílio eleitoral para o estado e a disputa ao Senado em 2026 mudaram o peso de sua candidatura em um colégio eleitoral decisivo. No quadro paulista, a estratégia foi se apresentar como opção de centro destinada a atrair eleitores que rejeitam os extremos, competindo com candidatos da direita conservadora e da centro-esquerda.
No campo das pautas de costumes, a ex-ministra tem adotado discurso em defesa dos direitos humanos e das liberdades individuais, distanciando-se de agendas morais associadas à direita conservadora. Ao mesmo tempo, votou a favor de legislações de proteção às mulheres e defendeu medidas de inclusão social, posições que a aproximam de setores da centro-esquerda nesse tema.
Parte da oposição conservadora tem criticado sua aproximação ao governo ao classificá-la como de esquerda, com base na participação na base aliada. Essa leitura faz parte do xadrez eleitoral que molda a disputa em 2026 e ajuda a explicar por que seu posicionamento é frequentemente descrito como misto: centro-direita na economia e centro-esquerda nas questões sociais.
