No podcast Flow, Lula afirmou que a fase inicial dos debates é infrutífera e vira disputa por 'lacrar'. Para ele, o confronto decisivo é o segundo turno, mais direto e sério.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 1º, que os debates eleitorais do primeiro turno “não produzem nada” e se resumem a uma disputa sobre “quem vai lacrar mais”. A declaração foi dada em entrevista ao podcast Flow.
“O bom debate é do segundo turno, que é tête-à-tête. Quando tem cinco ou seis candidatos, você fala um minuto e espera dez minutos. Não tem sequência. Eu acho que esses debates são infrutíferos, não produzem nada. E aí começam a fazer gracinha, piada, pegadinha”.
O presidente também afirmou que a disputa pela Presidência exige seriedade e voltou a criticar o formato dos encontros com vários postulantes ao cargo.
“Quando você disputa a Presidência é algo sério, não está discutindo quem vai lacrar mais. Eu sinceramente não gosto deste tipo de debate”.
Segundo a matéria, o presidente havia decidido não participar dos debates do primeiro turno. Nesta quinta-feira, a emissora que organizava um encontro previsto para a noite optou pelo cancelamento do programa.
Na ocasião, três candidatos — Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) — já estavam na emissora. Outro candidato, Flávio Bolsonaro (PL), havia informado que não participaria.
O cancelamento foi justificado pelos organizadores pela alteração das regras inicialmente acordadas, provocada por decisões judiciais. Uma das decisões, assinada pela ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acolheu pedido da coligação do presidente e proibiu a manutenção de uma estrutura vazia identificada com o nome do presidente, além de impedir que candidatos presentes fizessem perguntas dirigidas ao presidente.
Outra decisão, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a participação de Renan Santos (Missão) no debate. Segundo a emissora, essas medidas modificaram as condições previstas para o encontro e motivaram o cancelamento do programa.
As declarações do presidente sobre os debates e a sequência de decisões judiciais passaram a marcar o episódio que envolveu a organização do encontro eleitoral na noite de quinta-feira, 1º.

