Militante e advogada de 59 anos, Anaí Caproni nasceu em São Bernardo do Campo e cresceu no ABC operário. Integrante da direção do PCO e filha de Manoel Caproni, metalúrgico e fundador do PT, ela evita papéis sociais.
Se Rui Costa Pimenta, candidato do Partido da Causa Operária (PCO) à Presidência da República, fosse eleito, o Palácio do Planalto teria uma primeira-dama diferente do padrão tradicional brasileiro. Anaí Caproni Pinto, 59 anos, não é figura de eventos sociais nem de projetos de caridade; é militante, sindicalista, advogada e integrante da direção do próprio partido do marido.
Nascida em 12 de dezembro de 1966, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Anaí cresceu no ambiente das fábricas e da organização operária. Filha de Manoel Caproni, metalúrgico e um dos fundadores do PT na região, ela participou desde cedo de greves, assembleias e da disputa política local. Em 1983, ainda no movimento estudantil, começou a militar na tendência Causa Operária, então corrente interna do PT.
Quando a Causa Operária foi expulsa do PT no início dos anos 1990, Anaí seguiu o grupo que fundou o PCO, partido registrado em 1996 e presidido desde então por Rui Costa Pimenta. Ela integra a direção nacional e o Comitê Central da legenda. O casamento com Pimenta, contraído em meados da década de 1990, uniu duas trajetórias militantes e resultou em dois filhos: João Jorge Caproni Costa Pimenta e Carlos Henrique Caproni Costa Pimenta. Natália Braga Costa Pimenta, filha do primeiro casamento de Rui, também é dirigente do partido. Toda a família atua na cúpula do PCO. João, hoje com cerca de 29 anos, é candidato a deputado federal por São Paulo em 2026.
A formação de Anaí mistura o chão de fábrica com o mundo jurídico. Técnica em eletrônica, trabalhou nas indústrias metalúrgicas do ABC e foi servidora do Judiciário de São Paulo. Depois, tornou-se operadora de triagem e transbordo nos Correios, onde construiu carreira sindical. Foi diretora da Federação Nacional dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Fentect) e integrou a corrente de oposição “Ecetistas em Luta”.
Paralelamente, cursou Direito na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco. Hoje atua como advogada e aparece em dezenas de processos, inclusive representando familiares.
Nas urnas, Anaí já foi candidata várias vezes pelo PCO, com votação residual, conforme é comum na legenda. Disputou vereadora em São Paulo em 2000; concorreu ao governo de São Paulo em 2002, quando obteve 4.634 votos, e voltou a disputar o cargo em 2006; disputou a prefeitura da capital em 2004 e se apresentou novamente em 2012.
Em entrevistas da época, criticava outras legendas de esquerda por “enganar os trabalhadores” e defendia estatização de serviços, fim de repasses a empresas privadas e salário mínimo elevado.
O perfil de Anaí como eventual primeira-dama seria o de uma dirigente partidária e sindicalista que nunca se afastou da militância cotidiana. No PCO, a família Pimenta-Caproni é vista pelos críticos como um núcleo que concentra a direção do partido; pelos militantes, como continuidade de uma tradição revolucionária.
Em um eventual governo Pimenta, a esposa do presidente não seria um símbolo apenas protocolar, mas parte da mesma estrutura política que o candidato representa há mais de três décadas: a defesa explícita de um governo dos trabalhadores, da ruptura com o capitalismo e da organização operária.
Se chegar ao Palácio da Alvorada, Anaí Caproni levará para lá a biografia de quem nasceu no ABC metalúrgico, passou pelos Correios e pelos tribunais e manteve a militância ao longo da vida — um perfil que pode ser descrito, de forma literal, como o de uma primeira-dama operária.
