Em 2010, encontrei Zuenir Ventura no Prêmio Embratel e testemunhei seu carisma. Vencedor em Reportagem Esportiva após série sobre Copas, ele inspira pelo rigor e humanidade.
Tive a honra de conhecer Zuenir Ventura no ano de 2010, no Rio de Janeiro, quando fui finalista do Prêmio Embratel de Jornalismo. Um pouco antes da cerimônia, cumprimentei Zuenir e me identifiquei como jornalista. Naquela noite, confesso, não tinha grandes expectativas de vencer.
Do fim de 2009 até a metade daquele ano eu tinha produzido uma série de vinte e três matérias sobre a história das Copas. Na categoria “Reportagem Esportiva”, entre os concorrentes estavam repórteres de peso, como Clayton Conservani, da TV Globo. Para minha surpresa, o meu trabalho foi o escolhido e, mais tarde, soube que Zuenir Ventura estava entre os jurados.
Zuenir era conhecido pelo carinho que tinha pelo Fluminense, lembrando a relação de paixão que também vinculava Nelson Rodrigues ao clube. Sobre o falecimento do jornalista e escritor, o clube das Laranjeiras emitiu uma nota que registrou sua trajetória e solidariedade aos familiares, amigos e torcedores. Na íntegra, a nota dizia:
“O Fluminense FC lamenta o falecimento do jornalista e escritor Zuenir Ventura, aos 95 anos. Torcedor apaixonado do Tricolor, Zuenir foi um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro, com uma trajetória de mais de seis décadas dedicada às letras e à imprensa do país. O clube se solidariza com familiares, amigos e fãs neste momento de dor. Descanse em paz, Mestre!”
Além da relação com o futebol, Zuenir era sobretudo um observador social. Obras como 1968, o ano que não terminou e Cidade Partida figuram entre leituras essenciais para quem busca refletir sobre o país e suas transformações. Esses livros ajudaram a consolidar uma visão crítica e atenta à vida pública e às contradições brasileiras ao longo das décadas.
Ao lembrar desse encontro e da influência de Zuenir, registro também trabalhos que produzi posteriormente: no período entre 2019 e 2020, elaborei o podcast “90 anos de Copa”, e as vinte e três reportagens sobre a história das Copas, citadas no início desta memória, integraram meu percurso profissional.
Fica, portanto, a memória de um mestre do jornalismo que unia paixão clubística e compromisso com a observação social. Esta nota foi publicada em 23/09/2026 e busca registrar tanto a admiração pessoal quanto a importância da obra de Zuenir Ventura para leitores e profissionais da imprensa.
