A 81ª Assembleia Geral da ONU será a última com António Guterres. De 22 a 28 de setembro, líderes se reúnem em Nova York para decidir seu sucessor.
A 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, iniciada em 8 de setembro, será a última com António Guterres no cargo de secretário-geral. Na próxima terça-feira, 22, terá início a grande reunião anual que reunirá chefes de Estado, de governo e representantes de alto nível, e seguirá até 28 de setembro.
A escolha do novo secretário-geral voltou a ocupar o centro das atenções. A troca na liderança é vista por observadores como uma possibilidade de recuperar o protagonismo da organização, considerado por críticos como reduzido nos últimos anos. Entre os nomes que vêm recebendo maior apoio nas consultas informais do Conselho de Segurança estão duas mulheres, o que abriria pela primeira vez a possibilidade de a ONU ter uma secretária-geral.
“O que o próximo Secretário-Geral pode fazer é tentar pressionar as potências para moderarem o uso da força e tentar articular arranjos de cooperação para o alcance de um cessar-fogo e um posterior acordo de paz, mas sempre dependente da disposição dos estados-membros em cooperarem.”
As funções do secretário‑geral estão definidas na Carta da ONU: o cargo é o de chefe administrativo da organização e inclui prerrogativas como levar ao Conselho de Segurança questões que, em sua avaliação, possam ameaçar a manutenção da paz e da segurança internacionais, além de cumprir papel diplomático na busca de consensos e na condução da agenda institucional.
“A ONU é o resultado dos seus estados-membros”, afirmou a especialista consultada. “Um novo secretário-geral pode tentar avançar agendas importantes, mas sem o apoio dos estados-membros e, principalmente, das potências com assento permanente no Conselho de Segurança [que têm direito a veto], não haverá efetividade de ação na organização.”
Nos procedimentos em andamento, duas candidatas têm se destacado nas sondagens informais: Rebeca Grynspan, da Costa Rica — que já ocupou a vice-presidência do país e é secretária-geral da UNCTAD — e Carolyn Rodrigues-Birkett, indicada pela Guiana, ex-ministra das Relações Exteriores e hoje representante permanente do país junto à ONU.
Na consulta informal realizada na sexta-feira, 18, Grynspan recebeu nove manifestações de apoio, cinco contrárias e uma de neutralidade. Rodrigues-Birkett obteve oito manifestações favoráveis, seis contrárias e uma neutra. Essas consultas são informais e secretas e não equivalem à votação formal de recomendação.
Outro nome na disputa é Rafael Grossi, da Argentina, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, teve seu nome cogitado, mas não figura como candidato oficial; o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a sugerir publicamente esse nome.
No voto formal do Conselho de Segurança, o candidato precisa obter pelo menos nove votos entre os 15 integrantes e não pode ser vetado por nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. Depois da recomendação do Conselho de Segurança, cabe à Assembleia Geral nomear o secretário-geral.
Passados mais de 80 anos desde a sua criação, a ONU enfrenta o desafio de preservar sua capacidade de atuação em um cenário de competição entre grandes potências e recrudescimento de conflitos. A Carta da organização estabelece, entre outros pontos, medidas previstas no Capítulo VII e artigos que permitem ações provisórias e, em último caso, medidas com uso de forças armadas autorizadas pelo Conselho de Segurança.
“Em 80 anos, a ONU ainda não teve uma mulher ocupando o cargo de secretária-geral da organização. A eleição de uma mulher ampliaria os espaços ocupados por mulheres em cargos estratégicos na dinâmica da política internacional.”
