Órgão concluiu que a operação não cria risco relevante de monopólio. Há sobreposição na banda larga fixa em 198 municípios, mas a probabilidade de abuso de mercado foi avaliada como baixa.
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra da operadora Desktop pela Claro, afastando as primeiras sinalizações de dificuldades para a confirmação da operação entre as empresas.
O parecer da superintendência apontou que a maior sobreposição entre as duas companhias ocorre no mercado de banda larga fixa, em 198 municípios. Em muitos desses locais, as participações de mercado conjuntas serão bastante significativas, mas a avaliação considerou reduzida a probabilidade de exercício unilateral de poder de mercado, mesmo nas cidades com maior participação combinada.
“As condições de entrada, rivalidade e contestabilidade mostraram-se suficientes para mitigar os riscos concorrenciais”
O órgão antitruste citou a presença de infraestrutura de redes e de concorrentes locais e nacionais como fatores que, na sua visão, garantem a manutenção da concorrência no mercado. A análise também indicou que a Claro terá incentivos econômicos privados para desocupar, de forma gradual, infraestruturas consideradas redundantes.
A Desktop possui 1,2 milhão de clientes em 198 cidades no estado de São Paulo, o que equivale a 7,6% de participação no mercado. Para a Claro, a aquisição representa um avanço relevante no estado, onde disputa a liderança com a Vivo: a Claro tem 4,5 milhões de clientes em São Paulo (28,3%), enquanto a Vivo contabiliza 4,9 milhões (31%).
Em maio, a transação já havia recebido anuência prévia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em outubro de 2025, contudo, uma análise preliminar da Anatel, divulgada após o vazamento das negociações, apontou potenciais efeitos negativos para o mercado e para a entrada de novos competidores caso a compra fosse confirmada.
A operação entre Claro e Desktop foi celebrada oficialmente em março de 2026 pelo valor total de R$ 4 bilhões, dos quais R$ 2,4 bilhões referem-se a ativos e R$ 1,6 bilhão à dívida líquida que será assumida. Após a transação, a Claro ficará com 84 milhões de ações ordinárias da Desktop, equivalentes a 73% da operadora.
Os vendedores são o fundo Makalu Brasil Partners, controlado pela gestora norte-americana HIG Capital, e um grupo de pessoas físicas, entre elas o fundador da Desktop, Denio Alves Lindo. Numa segunda etapa, a Claro deverá fazer oferta para adquirir os 27% das ações remanescentes no mercado.
A Desktop nasceu em 1997, em Sumaré (SP). Em 2020 recebeu aporte da HIG Capital para acelerar o crescimento e, em 2021, lançou ações em bolsa. Desde o fim de 2025, a empresa vinha mantendo conversas com a Claro e, antes disso, chegou a negociar com a Vivo, sem acordo sobre preço.
