Edward Miliband anunciou em 8 de setembro restrições a produtos de assentamentos na Cisjordânia. A medida, motivada por licitação do Corredor E1, veio acompanhada da frase: 'a situação na Palestina é uma emergência moral'.
O Secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Edward Miliband, ganhou destaque nas últimas duas semanas ao vincular críticas às políticas israelenses a decisões do governo britânico. No dia 8 de setembro, ele anunciou que o governo imporia restrições comerciais a produtos provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia.
“A situação na Palestina é uma emergência moral”
A medida foi comunicada após a divulgação de uma licitação para o desenvolvimento do Corredor E1, uma faixa de terra de 12 quilômetros quadrados entre Jerusalém e o assentamento de Ma’ale Adumim, onde vivem cerca de 40 mil judeus. Miliband afirmou que o projeto teria impacto negativo no esforço por duas entidades nacionais.
“Ela destruirá o projeto de dois Estados”
Três dias antes do anúncio das restrições, Miliband havia divulgado um vídeo em que acusou Israel de impedir tratamentos médicos a pacientes palestinos em Gaza. No material, ele citou relatos de profissionais de saúde e trabalhadores humanitários para afirmar que insumos estariam sendo bloqueados.
“A entrada de remédios está sendo bloqueada e crianças estão morrendo enquanto aguardam tratamento médico. Temos que agir mais decisivamente do que nunca.”
O governo britânico, no entanto, não apresentou seguido imediato de investigação pública que detalhasse que remédios ou em que condições teriam sido impedidos de entrar. Por outro lado, dados oficiais de Israel apontaram que mais de 22,5 mil toneladas de medicamentos e equipamentos médicos entraram em Gaza desde o cessar‑fogo, e informações da Organização das Nações Unidas confirmaram que suprimentos chegaram a hospitais e unidades de saúde. Também foram citados cerca de 200 palestinos em tratamento no exterior.
O Reino Unido vinha participando de mecanismos de segurança e coordenação relacionados a Gaza, o que colocava informações adicionais ao alcance do Secretário de Relações Exteriores. Após as críticas, Miliband procurou suavizar o tom ao lembrar sua origem judaica e reafirmar o direito de Israel à autodefesa.
A reação israelense no próprio dia 8 foi dura e incluiu medidas diplomáticas e restritivas. Autoridades israelenses qualificaram as declarações como interferência nos assuntos internos e no processo eleitoral, marcado para 27 de outubro.
Medidas anunciadas por Israel
- Fechamento do consulado britânico em Jerusalém
- Proibição de ingresso no país de 12 autoridades e cidadãos britânicos
- Rompimento do acordo de treinamento das forças de segurança da Autoridade Palestina em Ramala
- Expulsão de representantes britânicos do Centro de Coordenação Militar
Membros da oposição britânica criticaram as declarações de Miliband, e analistas internacionais passaram a apontar motivações eleitorais por parte do governo. Uma pesquisadora citou migração de eleitores do partido Trabalhista para o Partido Verde entre eleitores que julgavam o governo não suficientemente duro com Israel.
“Há uma migração de eleitores do partido Trabalhista para o Partido Verde. São pessoas que acreditam que o governo inglês não é suficientemente duro com Israel em relação ao que o público progressista acredita.”
Antes desse episódio, o Reino Unido já havia adotado medidas contra Israel no auge do conflito com o Hamas: sanções a ministros, restrições à exportação de armamentos, suspensão de negociações comerciais e reconhecimento unilateral de um Estado palestino.
Conselhos de lideranças religiosas britânicas haviam alertado sobre o impacto das sanções na comunidade judaica local, considerando o momento sensível por conta das celebrações religiosas que se aproximavam. Autoridades israelenses descreveram as sanções como um erro de cálculo e uma interferência, enquanto representantes do governo israelense usaram uma retórica mais contundente contra o Reino Unido.
“Sanções não são uma solução — o diálogo é”
“O Mandato Britânico na Terra de Israel acabou”
O episódio ampliou um atrito entre Londres e Jerusalém que já vinha se intensificando nos últimos três anos e que, no curto prazo, resultou em um conjunto de medidas bilaterais com impacto político e diplomático.
