O ex-presidente foi expulso após votação do Conselho Deliberativo, que terminou 224 a 2, com cinco abstenções. A Comissão de Ética apontou gestão temerária e recomendou ressarcimento; a defesa divulgou nota.
O ex-presidente Júlio Casares foi expulso do São Paulo após votação do Conselho Deliberativo, encerrada no fim da tarde de quinta-feira (10). A decisão veio depois de um processo que apontou gestão temerária durante o período em que ele esteve à frente do clube; Casares havia renunciado no começo do ano após ter sido afastado.
A acusação se baseou no artigo 34 do estatuto social do clube. A Comissão de Ética recomendou, em relatório, a expulsão e o ressarcimento aos cofres do time. A votação terminou em 224 votos a 2, além de cinco abstenções.
Em nota, a defesa de Júlio Casares manifestou surpresa com o desfecho do processo e afirmou que a medida teve caráter político e perseguição.
“A defesa de Julio Casares, exercida pelos advogados Daniel Bialski, Bruno Borragine, André Bialski e Bruna Luppi, externa sua perplexidade e espanto com o abusivo desfecho do procedimento do São Paulo Futebol Clube, que para além de cercear o exercício defensivo, mediante a inviabilização da disponibilização e produção dos elementos probatórios que desmistificam as ilações atribuídas a Julio Casares, se pautou em cunho eminentemente político, com ares de perseguição, cenário escancarado com o próprio prosseguimento de procedimento já esvaziado ante a anterior desassociação de Julio Casares dos quadros do Clube. A defesa reitera a lisura e regularidade da atuação de Julio Casares junto ao São Paulo Futebol Clube e sua confiança de que, no momento oportuno, será reconhecida pelas Autoridades Judiciárias.”
O relatório da Comissão de Ética considerou como apontamento a existência de saques no montante de R$ 7 milhões, quantia que é alvo de investigação por uma Força-Tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público. A Comissão também citou uso do cartão corporativo na ordem de cerca de R$ 1 milhão, do qual pouco mais da metade teria sido reembolsada ao clube — enquadramento que, segundo o processo, se ampara no artigo 11 do estatuto, relativo a “dano ou prejuízo material”.
O valor a ser ressarcido foi calculado pelo departamento financeiro do São Paulo e ainda será validado pelo Conselho Fiscal.
O processo apontou que Casares não compareceu à reunião da Comissão de Ética em que teria oportunidade de apresentar defesa. Representantes do ex-presidente alegaram que ele sofreu restrições ao direito de defesa por dificuldades em obter documentos para sua representação.
“processo de exceção” e “direito de defesa cerceado”
O relatório final, no entanto, rebateu essa versão e registrou que houve fornecimento de ampla documentação às defesas, incluindo documentos financeiros, relatórios de auditoria, respostas de Compliance, protocolos de jogos e shows, política de utilização de cartão corporativo e faturas de diversos exercícios. O texto informa ainda que a própria defesa reconheceu ter recebido documentação anteriormente requisitada e passou a formular novos pedidos.
“Os autos registram o fornecimento de grande quantidade de material, entre o qual documentos financeiros, relatórios de auditoria, respostas de Compliance, protocolos de jogos e shows, política de utilização de cartão corporativo e faturas referentes a diversos exercícios A própria defesa reconheceu posteriormente ter recebido documentação anteriormente requisitada, passando a formular novos pedidos”
A Comissão de Ética foi composta por Luiz Augusto Lia Braga, Mario Celso da Silva Braga, Milton José Neves Júnior, José Edgard Galvão Machado e Fábio Cesar de Souza Azambuja. Com a expulsão votada pelo Conselho Deliberativo, o clube deverá agora encaminhar à instância contábil a validação dos valores apontados para eventual ressarcimento, enquanto as apurações conduzidas pela Força-Tarefa e pelo Ministério Público seguem em curso.
