Os três serão ouvidos como testemunhas no inquérito do Banco Master. A PF também pediu novo depoimento do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino; as intimações datam de 3 de agosto.
A Polícia Federal determinou a intimação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto e do dono do BTG Pactual, André Esteves, para prestarem depoimento no inquérito sobre o Banco Master. Os três serão ouvidos como testemunhas, segundo a decisão tomada pela investigação.
A PF também ordenou um novo depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. As intimações foram proferidas em 3 de agosto, mas os depoimentos ainda não ocorreram porque os investigadores tinham outros interrogatórios para realizar no mesmo caso.
A investigação apura a suspeita de que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pagou propina a Belline Santana e a Paulo Sérgio Souza, ex-chefe e ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central. Em troca, a suspeita da Polícia Federal é de que os dois teriam fornecido informações internas sobre a fiscalização do Master e prestado assessoria informal ao banqueiro. Ambos negam as acusações.
A decisão de ouvir Galípolo, Campos Neto, Esteves e Aquino ocorreu depois que Paulo Sérgio Souza citou os nomes em depoimento aos investigadores. Souza relatou ter mantido duas reuniões com o presidente do Banco Central durante a tentativa de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) e atribuiu a Galípolo resistência em comunicar ao Ministério Público Federal suspeitas identificadas nesse processo.
Segundo o relato de Souza, na primeira reunião ele informou sobre a falta de recolhimento de todo o compulsório pelo Master, o que, na visão apresentada, tornaria necessária a liquidação do banco ou a busca por uma solução de mercado com o BTG.
“um voto de confiança para a solução do BRB”
Na segunda reunião, já no fim de junho, Souza afirmou que Galípolo teria dito que não comunicaria ao Ministério Público a suspeita de gestão temerária, justificando a decisão com uma informação interna sobre a existência de fraude na carteira do banco.
Souza também afirmou que o BTG identificou uma fraude de R$ 32 bilhões no Master durante uma due diligence, análise realizada antes de uma negociação. O relato diz que o banco comunicou a descoberta verbalmente em 29 de novembro de 2024 e fez uma apresentação no Banco Central dias depois, reunião em que teria participado Roberto Campos Neto. Segundo o depoimento, o BTG não teria entregue documentos naquele encontro.
A defesa de Roberto Campos Neto disse que ainda não recebeu a intimação e criticou a divulgação da informação.
“Se, de fato, existe determinação para que Roberto Campos Neto seja ouvido, é lamentável que tal informação tenha sido vazada à imprensa”
O processo segue em curso, com a Polícia Federal organizando as oitivas e a apuração das alegações apontadas no inquérito sobre o Banco Master.


