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Política

Canadá aplica tarifas de até 50% a produtos dos EUA

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 08/09/2026
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Canadá aplica tarifas de até 50% a produtos dos EUA
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Tarifas de 15%, 25% e 50% entraram em vigor e miram quase US$20 bilhões em importações — aço, laticínios e eletrônicos estão na lista. Ottawa diz que é retaliação às sobretaxas americanas de 22 de agosto.

As tarifas do Canadá sobre uma série de produtos dos Estados Unidos entraram em vigor nesta terça-feira (8), em resposta a taxas aduaneiras impostas por Washington no mês passado. As medidas foram anunciadas como retaliação e começaram a valer no mesmo dia.

As tarifas, de 15%, 25% e 50%, atingem quase 20 bilhões de dólares (102 bilhões de reais) em importações provenientes dos Estados Unidos. Entre os produtos afetados estão aço, laticínios, produtos eletrônicos e celulose.

Segundo Ottawa, o valor corresponde exatamente ao dos produtos canadenses afetados desde 22 de agosto pelas sobretaxas americanas de 50%.

O primeiro-ministro Mark Carney alertou os canadenses sobre o custo de reduzir laços econômicos com os Estados Unidos e afirmou que a mudança terá impacto:

“Temos tudo o que precisamos para mudar de rumo e prosperar. Essa mudança de rumo terá um preço. Sempre há um preço quando se toma uma atitude, mas não se compara ao preço de ficar parado.”

Em vídeo publicado em uma plataforma digital, o primeiro-ministro justificou as medidas como forma de proteger mercados de trabalho e empresas e rejeitou a ideia de uma escalada sem efeitos construtivos:

“Essas medidas são necessárias para proteger nossos trabalhadores e nossas empresas.”

“[A escalada] não seria construtiva.”

Um porta-voz do negociador canadense Dominic LeBlanc ressaltou que, apesar de negociações oficiais ainda não terem sido retomadas, autoridades canadenses e americanas continuam em conversas:

“Negociações comerciais oficiais não tenham sido retomadas, as autoridades canadenses e americanas continuam conversando.”

O conflito comercial entre os dois vizinhos ganhou nova dimensão após a ruptura das negociações com a Casa Branca, em 21 de agosto. Carney acusou os Estados Unidos de tentar impor um “acordo ruim”, com “condições injustas”, e de pretender transformar o Canadá em uma “filial” e “destruir” sua indústria, em particular o setor automotivo.

Carney também justificou sua postura por conta de cláusulas discutidas sobre a língua francesa, tema sensível no país. Segundo o premier, o projeto de acordo questionava o espaço dos meios francófonos online e a exigência de etiquetas bilíngues em produtos vendidos no Canadá. A Casa Branca negou a acusação e afirmou que não transformou o tema em uma “linha vermelha”.

Do lado americano, o presidente Donald Trump ameaçou prejudicar empresas canadenses ao bloquear o acesso a um programa de compras públicas que pode chegar a até 50 bilhões de dólares anuais e também condicionou medidas sobre setores específicos.

Antes da entrada em vigor da resposta canadense, houve ameaças de bloqueio de vendas da fabricante de aviões Bombardier. Sobre o tema, o senador Roger Marshall publicou na rede X:

“Lutarei para manter os mais de 1.200 empregos da Bombardier no Kansas. Já levei essa preocupação ao Salão Oval.”

O presidente americano também ameaçou elevar tarifas sobre a indústria automotiva, cobrando um aumento das taxas de 25% para 50% a partir de 1º de janeiro. A aposta do governo canadense é politicamente e economicamente arriscada, dado que quase 60% das importações do Canadá procedem dos Estados Unidos e cerca de 70% das exportações canadenses têm como destino o país vizinho.

Para mitigar os efeitos sobre os setores mais afetados, o governo anunciou a liberação de 7,5 bilhões de dólares canadenses (27 bilhões de reais) em apoio a empresas.

O cenário econômico e diplomático entre os dois países permanece tenso, com diálogo em curso, medidas tarifárias em vigor e medidas de apoio doméstico anunciadas para proteger indústrias e empregos.

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