Com nove faixas autorais, o primeiro álbum de Sofia Pitta traduz experiências, afetos e perspectivas da jovem baiana. Cada música ganha um visualizer exclusivo que amplia o universo narrativo e estético do projeto.
Aos 22 anos, a cantora e compositora baiana Sofia Pitta apresenta ao público seu primeiro álbum, Pureza Selvagem. O projeto reúne nove faixas autorais e traduz em música e imagem experiências, afetos e perspectivas que atravessam a trajetória da artista. Para acompanhar o lançamento, cada canção ganha também um visualizer especial, ampliando o universo narrativo e estético do trabalho.
Pureza Selvagem nasceu naturalmente das composições de Sofia ao longo dos anos. São histórias vividas, sentimentos experimentados e acontecimentos transformados em canções.
“É um álbum que conta muito da minha história, do meu território, Salvador, Bahia, e da forma como eu enxergo a vida”
explica a artista.
O título funciona como síntese da mensagem do projeto: a possibilidade de existir de forma completa, sem precisar escolher entre o que é delicado e o que é visceral, entre pureza e instinto, leveza e profundidade. No álbum, Sofia propõe um olhar sobre a própria humanidade em um mundo cada vez mais tecnológico e artificial.
Depois de reunir as composições, Sofia percebeu os fios que conectavam aquelas diferentes histórias. Dois elementos se tornaram centrais na narrativa: a água e o amor. A água aparece como símbolo de fluidez, emoção e transformação, atravessando o projeto em suas diferentes formas — doce, salgada, literal e simbólica. Já o amor surge tanto como perspectiva para olhar o mundo quanto como escolha política.
“Eu acredito que falar de amor é um ato político. Sendo uma mulher do território que eu sou, com a história que eu tenho, contar histórias sobre o amor a partir do meu olhar é muito importante”
afirma a artista.
Musicalmente, Pureza Selvagem parte da MPB, raiz musical de Sofia, e incorpora elementos de gêneros ligados à cultura baiana e brasileira: pagodão, samba e arrocha, além de passagens pelo reggae. Essa mistura busca traduzir a identidade da cantora e sua liberdade de transitar entre referências.
“Eu fiquei muito feliz de, nesse projeto, poder deixar muito claro aos meus ouvintes que minha raiz musical vem da MPB e que eu misturo muito com ritmos que são fortes na Bahia e que fazem parte da minha identidade artística”
conta a artista.
Na construção visual, Sofia buscou uma estética solar — quente, sensual e ligada ao verão — que percorre todo o trabalho mesmo nas faixas de tom mais melancólico. A intenção é permitir que diferentes emoções coexistam: não transformar a tristeza em escuridão, mas manter uma atmosfera de calor e vivência corporal.
Ao final, Pureza Selvagem se apresenta como um retrato autoral: uma artista baiana que transforma experiências em narrativa e encontra na mistura entre MPB, ritmos brasileiros e sonoridades da Bahia uma forma de falar sobre amor, liberdade, desejo, prazer, vulnerabilidade e identidade. O álbum propõe reconhecer a contradição humana — ser puro e selvagem, intenso e leve, profundo e divertido — sem caber em uma única definição.


