Em sabatina, Renan Santos afirmou que o Brasil deve ter, no futuro, capacidade para produzir armas nucleares para defender sua soberania. Ele disse que a ordem global pós‑Segunda Guerra está se enfraquecendo.
O candidato à Presidência Renan Santos defendeu que o Brasil desenvolva, no futuro, capacidade para produzir armas nucleares e classificou a discussão sobre a bomba atômica e a capacidade de dissuasão como “fundamental” diante de mudanças na ordem internacional. As declarações foram feitas durante uma sabatina, quando o candidato explicou argumentos sobre soberania e estratégia nacional.
Renan afirmou que a ordem global estabelecida após a Segunda Guerra Mundial estaria se enfraquecendo e que o Brasil precisaria ampliar sua soberania econômica, tecnológica e militar para reduzir a dependência de outras potências. Para ele, esse processo inclui debater a possibilidade de dissuasão como parte da estratégia de segurança do país.
“A discussão sobre armas nucleares no Brasil, e se você quiser falar de maneira um pouco mais ampla, de capacidade de dissuasão, é uma decisão fundamental para o século XXI.”
O candidato afirmou que o mundo caminhava para uma nova Guerra Fria entre Estados Unidos e China, e que os Estados Unidos voltariam a projetar poder sobre a América Latina. Segundo ele, o Brasil não poderia permanecer em situação de fragilidade perante as grandes potências nas próximas décadas.
“Nós temos que passar por um ganho de soberania, ganhos que vão na área econômica, infraestrutura, tecnologia e capacidade militar.”
Apesar da defesa de uma capacidade nuclear militar, Renan deixou claro que a eventual construção de uma bomba atômica não seria uma medida imediata em caso de governo seu. Ele disse que o país não teria condições de avançar rapidamente com esse projeto no primeiro ano de mandato.
“Não é que eu no meu primeiro ano de mandato vou sair construindo bomba atômica. Isso não dá. Nós não temos poder hoje pra nada.”
Sobre o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, do qual o Brasil é signatário, o candidato admitiu a possibilidade futura de o país deixar o acordo ou descumpri-lo, ainda que não de imediato, argumentando que o mundo respeita a força.
“Não de imediato, mas nós sairíamos ou desrespeitaríamos e o mundo iria aceitar, porque esse mundo aceita a força. O mundo, só para o pessoal entender, só respeita a força.”
Ele também afirmou que tratados internacionais são violados por nações que têm poder para sustentar essas decisões e citou a ação da Rússia na Ucrânia como exemplo de violação de acordos entre países.
“Os tratados internacionais são violados recorrentemente. A Rússia violou quando atacou a Ucrânia, há ataques recorrentes entre nações vizinhas. E se você é uma nação poderosa, você não liga para o Tratado Internacional, você tampouco é sancionado.”
Quanto ao aspecto legal, Renan reconheceu que o desenvolvimento de armas nucleares no país exigiria mudança na Constituição, que hoje permite atividade nuclear no território nacional apenas para fins pacíficos. Ele afirmou ser favorável a alterar a Constituição e disse que tratava-se de um projeto de longo prazo, que ultrapassaria um eventual primeiro mandato presidencial.
“Nós temos que alterar nossa Constituição, sim.”
“Esse tema é um tema que não vai ser tratado no primeiro mandato meu, nem de qualquer presidente queira fazer isso. A gente está falando de um horizonte para além de oito anos.”
“Essa Constituição é um impeditivo a qualquer tipo de crescimento econômico brasileiro ou ganhos na área de soberania. É uma Constituição fragilizadora.”
