Investigação aponta ameaças a candidatos, restrição de campanhas e cobrança para autorizar entrada de comitês em áreas controladas por facções. Operações atingiram Fortaleza e quatro cidades do interior.
Quinze pessoas foram presas no Ceará sob suspeita de participação em ações coordenadas por facções criminosas para interferir na campanha eleitoral de 2026. As investigações apontam para ameaças contra candidatos, restrições a atividades políticas e cobranças por autorizações para a entrada de campanhas em áreas controladas por criminosos.
Cidades e locais com prisões ou investigações
- Fortaleza — registros de prisões e inquéritos
- Sobral — investigação envolvendo vereadores
- Forquilha — prisões e operação policial
- Itapajé — procedimentos investigativos
- Maranguape — procedimentos investigativos
- Capistrano — ameaças relacionadas à campanha
- Morada Nova — denúncias recebidas pela Justiça Eleitoral
- Canindé — denúncias recebidas pela Justiça Eleitoral
- Tejuçuoca — denúncias recebidas pela Justiça Eleitoral
- Iguatu — denúncias recebidas pela Justiça Eleitoral
A prisão mais recente ocorreu em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. Uma mulher de 25 anos foi detida em flagrante por suspeita de integrar organização criminosa e de colaborar com ameaças ligadas à campanha em Capistrano. A identidade da mulher não foi divulgada.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), a investigada obtinha informações sobre possíveis vítimas e as repassava a integrantes do grupo que estariam escondidos no Rio de Janeiro. As autoridades enfatizam que as suspeitas ainda estão sob investigação e não equivalem a condenações.
Operações e prisões detalhadas
- 20 de agosto — dois homens foram presos em Forquilha por suspeita de ameaça e extorsão; segundo a SSPDS, a dupla teria atuado a mando de um integrante da facção localizado no Rio de Janeiro.
- Operação Arquipélago 2 — deflagrada uma semana depois, com a prisão de oito pessoas investigadas por integrar uma célula do Comando Vermelho em Forquilha e municípios próximos; um alvo foi localizado em um hospital no Rio de Janeiro.
- Valores cobrados — as apurações indicam que cobranças a políticos teriam chegado a R$ 300 mil; os oito presos nessa fase são investigados separadamente dos dois detidos anteriormente.
As investigações apontam ainda para o uso de comunicados conhecidos como “salves” para sinalizar que candidatos não poderiam realizar atos em determinadas áreas sem autorização dos criminosos. As suspeitas seguem sendo apuradas pelos órgãos competentes.
Investigação em Sobral e medidas judiciais
- Operação Omertà — deflagrada em 11 de agosto pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará e pelo Ministério Público Eleitoral; investiga interferências nas eleições de 2024 e 2026.
- Prisões — três vereadores foram presos no curso desse inquérito, que apura se candidatos teriam pago cerca de R$ 60 mil para obter autorização de campanha em bairros sob controle do grupo criminoso.
- Medidas judiciais — a Justiça Eleitoral expediu 14 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão e cinco ordens de afastamento cautelar de funções públicas; cerca de cem agentes participaram da operação.
Em Fortaleza, um episódio de 22 de agosto foi informado à Polícia Federal e ao Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE). Apoiadores do deputado federal Danilo Forte (PP-CE) relataram que foram impedidos por homens armados de distribuir material eleitoral no bairro Cidade 2000, levando ao cancelamento da atividade.
Diante das denúncias, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou o envio de forças federais para 67 municípios cearenses no primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O pedido de reforço havia sido apresentado pelo TRE-CE. Até o momento, apenas um pedido de proteção formal apresentado por candidato ou partido foi acolhido: o do partido Missão em favor do candidato ao governo estadual Delegado Huggo Leonardo.
As autoridades citam como precedente o caso de Santa Quitéria, no qual o prefeito eleito em 2024, José Braga Barrozo (conhecido como Braguinha, PSB), e o vice, Francisco Gardel (conhecido como Gardel Padeiro, PP), tiveram os mandatos cassados por abuso de poder político e econômico. A decisão, confirmada pelo TSE em março de 2026, considerou que a chapa utilizou a estrutura do Comando Vermelho para intimidar eleitores e apoiadores de candidatura adversária. Esse caso integra os antecedentes considerados pelas autoridades na preparação das eleições de 2026.
As investigações continuam em curso e as autoridades seguem reunindo elementos para delimitar responsabilidades e encaminhar medidas judiciais cabíveis.
