Edvandir Paiva, presidente da ADPF, criticou Gilmar Mendes após sugestão de proibir delegados da PF em gabinetes do STF. Paiva afirma que eles prestam suporte técnico e não são responsáveis pela Corte.
O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes nesta quinta-feira, 3. A manifestação ocorreu depois de Gilmar defender a proibição da atuação de delegados da Polícia Federal (PF) nos gabinetes dos ministros do STF.
Paiva afirmou que os profissionais destacados para os gabinetes atuam em razão da experiência e do conhecimento técnico e rejeitou a ideia de responsabilizar os delegados por problemas da Corte. Segundo ele, a presença desses servidores oferece suporte técnico importante à análise de temas complexos.
“É lamentável a postura do ministro Gilmar Mendes em relação à atuação dos delegados da Polícia Federal”
O presidente da ADPF destacou que os magistrados não precisam dominar todos os temas que chegam à análise da Corte e que o auxílio especializado é tradicional. Ele citou exemplos de quem costuma dar esse suporte técnico.
“O auxílio especializado é tradicionalmente promovido por advogados da União, juízes auxiliares e delegados, que dão suporte em uma melhor compreensão dos aspectos que permeiam uma investigação policial”
Paiva também afirmou que os delegados não são responsáveis pelos problemas atuais enfrentados pela Suprema Corte e considerou que torná-los alvo de críticas pode servir para desviar a atenção das questões centrais que precisam de solução.
“Certamente os problemas atuais da Suprema Corte não são responsabilidade dos delegados da Polícia Federal, nem dentro, nem fora da Polícia”
“Talvez demonizá-los seja apenas o caminho mais fácil para tirar o foco dos problemas que realmente merecem solução”
Na mesma quinta-feira, 3, Gilmar Mendes apresentou ao presidente do STF, Edson Fachin, uma proposta para proibir delegados da PF de atuar nos gabinetes dos ministros como servidores cedidos. Atualmente, dois delegados da PF assessoram o ministro André Mendonça, relator de casos como as investigações sobre o Banco Master, as fraudes no INSS e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O ministro Alexandre de Moraes também conta com dois delegados da PF em seu gabinete. A possível retirada dos delegados dos gabinetes foi apontada como um dos motivos do embate entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O tema deve seguir em destaque nas discussões sobre a relação entre a carreira policial e o apoio técnico aos ministros do STF, com repercussões internas na Corte e na direção da Polícia Federal.

