Adolfo Sachsida, ex-ministro e coordenador da equipe de Flávio Bolsonaro, criticou a ideia de recomprar títulos públicos. Ele disse que é uma tentativa de reduzir juros sem cortar gastos.
A proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que o Tesouro Nacional recompre títulos públicos, com o objetivo de reduzir os juros de longo prazo, recebeu críticas do ex-ministro Adolfo Sachsida, coordenador da equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nesta terça-feira, 25. A iniciativa tem sido apresentada pelo governo como forma de diminuir a volatilidade da curva de juros e influenciar as condições de financiamento em prazo mais longo.
“O PT gasta tanto que os juros subiram demais. Então, ele quer dar um jeito de diminuir os juros sem parar de gastar. Qual é a maneira correta de abaixar os juros? Diminuir o gasto. Quando você diminui o gasto, sobra dinheiro na economia e os juros caem naturalmente. Mas não, o PT quer continuar gastando muito. Aí, para abaixar os juros artificialmente, ele fala assim, o governo vai recomprar os títulos.”
Na segunda-feira, 24, José Sergio Gabrielli, coordenador-geral do programa de governo do PT, defendeu a recompra dos títulos públicos e citou como exemplo uma medida semelhante adotada recentemente pelos Estados Unidos. Gabrielli explicou que a recompra teria como objetivo reduzir a volatilidade da curva de juros, referência para decisões do Banco Central, e, assim, estimular um ambiente de maior previsibilidade para investimentos e crédito.
“Essa proposta absolutamente medíocre do ponto de vista econômico, vai aumentar a inflação, vai aumentar o custo de vida, vai aumentar a taxa de juros, vai gerar desemprego. E para o PT, desgraça pouco é bobagem. Aí ele vai lá e aumenta o imposto de quem produz.”
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Sachsida afirmou que o aumento dos juros decorre do elevado gasto público atribuído ao PT e defendeu que a melhor forma de reduzir as taxas seria por meio de contenção das despesas. A crítica aponta que a recompra seria uma tentativa de reduzir os juros sem enfrentar o nível de gastos públicos.
Do outro lado do debate, Gabrielli argumentou que o crescimento da dívida pública brasileira decorre, em grande parte, dos encargos com juros, e não de um descontrole nos gastos. O economista citou medidas adotadas no exterior para justificar a alternativa da recompra como instrumento para estabilizar a curva de juros.
Sobre suas trajetórias: José Sergio Gabrielli é formado em economia pela Universidade Federal da Bahia, presidiu a Petrobras de julho de 2005 a fevereiro de 2012 e foi secretário de Planejamento da Bahia de março de 2012 a janeiro de 2015, na gestão de Jaques Wagner. Adolfo Sachsida é doutor em Economia pela Universidade de Brasília, pós-doutor pela Universidade do Alabama e ocupou cargos no governo anterior, entre eles secretário de Política Econômica (janeiro de 2019 a abril de 2022) e ministro de Minas e Energia a partir de maio de 2022.
O embate expõe posições distintas sobre instrumentos de política pública para lidar com a curva de juros e com o endividamento do setor público, com opiniões divergentes sobre efeitos sobre inflação, atividade econômica e emprego.
