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Política

Lula lança campanha e mira soberania, medidas no bolso e sua trajetória

Rafael Ramos
De Rafael Ramos
Publicado: 25/08/2026
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Lula lança campanha e mira soberania, medidas no bolso e sua trajetória
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A campanha oficializa um tripé: soberania, medidas que atingem o bolso do eleitor e a trajetória pessoal de Lula. A mudança de tom busca converter vantagem nas pesquisas em votos.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição chegou à fase oficial com uma estratégia centralizada em três frentes: defesa da soberania nacional, ações que impactem diretamente o bolso do eleitor e a própria trajetória política do presidente. Depois de meses tentando transformar indicadores do governo em crescimento nas pesquisas, a campanha mudou o tom e a forma de comunicação.

Ao longo dos últimos meses, integrantes do governo, do núcleo de campanha e aliados próximos avaliaram que Lula continua em posição favorável nas pesquisas e não precisa, neste momento, aumentar os riscos da disputa. Nos bastidores, a orientação é resumida pela expressão:

“jogar parado”

Casos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado por tráfico de influência, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do petista, também estão sendo monitorados, mas, segundo a avaliação interna, não trazem preocupação imediata à corrida eleitoral. Parte do entorno considera que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) tem produzido os próprios desgastes. Por isso, aliados defendem que Lula evite exposições consideradas desnecessárias, principalmente em debates e sabatinas, desde que a ausência não gere custo político maior.

O ajuste de discurso não significa ausência de mudança de conteúdo. Na primeira etapa da pré-campanha, a aposta foi em números macroeconômicos: desemprego em patamar recorde, inflação dentro da meta, isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e políticas como Pé-de-Meia e Gás do Povo. Mesmo assim, esses resultados não se traduziram em avanço proporcional nas pesquisas, e a rejeição permaneceu elevada.

Com isso, a campanha passou a privilegiar a chamada “economia palpável”: medidas com efeito direto no orçamento das famílias. Entre os exemplos apontados estão o novo Desenrola, voltado à renegociação de dívidas, e o fim da chamada “taxa das blusinhas” — criada durante o próprio governo. O fim da escala 6×1 ganhou ainda mais peso como bandeira para tentar reduzir a rejeição entre jovens e trabalhadores.

Uma das propostas em destaque é o projeto que reduz a jornada para até 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial. A medida enfrenta resistência do setor produtivo e dúvidas dentro da base sobre aprovação ainda em 2026, mas politicamente permite ao presidente dialogar com públicos em que encontrou dificuldade durante a pré-campanha.

Outra frente que cresceu foi a defesa da soberania nacional, impulsionada por embates comerciais com os Estados Unidos. No pronunciamento de 1º de Maio, o presidente disse:

“o Brasil não é quintal de ninguém”

Na abertura oficial da campanha, em São Bernardo do Campo, o tema voltou com ênfase em minerais críticos e terras raras. A estratégia pretende ligar política externa, economia e confronto com a oposição, destacando interesses nacionais e evitando uma escolha automática por Estados Unidos ou China.

Por fim, a campanha aposta novamente na própria história do presidente como ativo de comunicação. O lançamento oficial foi organizado em torno da biografia: lembranças das greves do ABC, episódios da ditadura, referências à mãe e à trajetória sindical foram usados para reforçar a imagem do candidato. Mesmo com esse retorno ao passado, o uso da memória tem limites e será calibrado conforme a resposta do eleitorado.

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