O governo diz que os EUA ainda não responderam às duas propostas que Lula apresentou a Trump em maio para ampliar a cooperação contra o crime transnacional. O tema foi retomado em conversa telefônica de mais de uma hora.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os Estados Unidos ainda não deram uma resposta concreta às propostas apresentadas pelo presidente brasileiro para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado transnacional.
Em maio, Lula levou duas iniciativas ao presidente Donald Trump durante encontro na Casa Branca. Desde então, Brasília aguardava uma manifestação de Washington sobre as medidas apresentadas.
O tema voltou à pauta na sexta-feira, 21, durante uma conversa telefônica de mais de uma hora entre os dois presidentes. Lula defendeu novamente a ampliação da cooperação entre os países, mas ressaltou que o Brasil dispõe de instrumentos próprios para enfrentar as facções.
Segundo o Palácio do Planalto, Trump demonstrou disposição para ampliar a parceria e informou que mobilizaria autoridades de alto escalão para dar continuidade às discussões. A expectativa em Brasília era que essas ações levassem a negociações mais formais entre as equipes de segurança dos dois governos.
Em maio, os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A decisão ocorreu dois dias depois de uma reunião entre Trump e o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que havia defendido a medida.
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A classificação permite sanções e restrições contra pessoas e empresas que forneçam apoio material aos grupos. O governo brasileiro contestou a decisão, alegando que ela poderia afetar questões internas e dificultar a cooperação entre os dois países em investigações e ações conjuntas.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Lula afirmou que o Brasil não precisa de uma classificação internacional para combater as facções e procurou diferenciar as ações das organizações criminosas de ataques terroristas.
“(A atuação dos grupos) é um ‘terror cotidiano’ para populações vulneráveis, mas eles não se confundem com organizações terroristas”
O Executivo também destacou medidas adotadas pelo governo brasileiro, incluindo o bloqueio financeiro de recursos ligados às facções. Segundo o Executivo, cerca de R$ 17 bilhões relacionados à criminalidade já foram apreendidos.
Lula mencionou ainda outras ações do governo, como a transformação de 138 presídios em unidades de segurança máxima, a aprovação da chamada Lei Antifacção e a apresentação de uma proposta de emenda à Constituição para ampliar a atuação federal na segurança pública em parceria com os estados.
Até a publicação desta matéria, permanecia a expectativa por uma resposta formal de Washington às propostas brasileiras, que buscam articular medidas conjuntas para enfrentar o crime organizado com foco em investigações, bloqueios financeiros e cooperação institucional.
