O Ministério da Saúde diminui prazos para doação após tatuagem, piercing, maquiagem definitiva, botox e exames endoscópicos, além de permitir reavaliação de alguns sobreviventes de câncer. O Hemosc já aplica os critérios.
Boas notícias para quem deseja doar sangue no Brasil. A partir de 30 de setembro de 2026, novas regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde vão ampliar a possibilidade de doação para pessoas que atualmente precisam cumprir períodos maiores de espera.
As mudanças reduzem os prazos após procedimentos como tatuagem, piercing, maquiagem definitiva, botox, endoscopia e colonoscopia, além de permitir a reavaliação de pessoas que tiveram alguns tipos de câncer. O Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) já começou a adotar os novos critérios em todo o estado.
As alterações foram estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, publicada em julho pelo Ministério da Saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que a nova regulamentação entra oficialmente em vigor no país em 30 de setembro, após o período de adaptação dos serviços de hemoterapia.
Uma das mudanças que pode contribuir para aumentar o número de doadores é a redução do tempo de impedimento após alguns procedimentos estéticos. Quem fizer tatuagem, maquiagem definitiva, botox ou colocar piercing deverá aguardar quatro meses para tentar doar sangue, desde que cumpra os demais requisitos de segurança. No caso de piercing em cavidade oral ou genital, o prazo de quatro meses será contado a partir da retirada do acessório. Antes, em algumas dessas situações, o período de espera poderia chegar a um ano.
Outra redução importante diz respeito a pessoas que passaram por exames endoscópicos. Agora, quem realizou endoscopia, colonoscopia ou procedimentos semelhantes deverá aguardar quatro meses para doar, em vez dos seis meses previstos anteriormente. A atualização considera novos critérios técnicos utilizados na avaliação da segurança dos doadores.
Além disso, as novas regras trazem mudanças significativas para pessoas que tiveram câncer. Aqueles que concluíram o tratamento há pelo menos cinco anos, estão em remissão e não apresentam doença ativa poderão ser considerados aptos à doação, dependendo do tipo de câncer e da avaliação realizada pelos profissionais do hemocentro. É importante ressaltar que essa possibilidade não se aplica a todos os tumores, e casos de leucemia, linfoma, mieloma e melanoma continuam entre as contraindicações.
A regulamentação também aborda orientações para quem utiliza medicamentos agonistas de GLP-1, como semaglutida e liraglutida, frequentemente associados à perda de peso. O uso desses medicamentos não impede automaticamente a doação, mas os profissionais deverão verificar durante a triagem se o candidato apresentou sintomas como náuseas e diarreia persistente.
Outras condições também tiveram os critérios atualizados. Para quem passou por cirurgia bariátrica, o período de espera foi reduzido de um ano para seis meses, desde que a pessoa esteja clinicamente apta. Pessoas com excesso de ferro no sangue poderão ser avaliadas para doação, e aqueles que utilizam anabolizantes também poderão ser considerados, conforme os novos critérios.
Apesar das mudanças, os requisitos básicos para doação permanecem. É necessário ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50 quilos, dormir pelo menos seis horas nas últimas 24 horas e estar alimentado. Menores de 18 anos precisam de autorização formal do responsável legal, enquanto quem está entre 60 e 69 anos só pode doar se já tiver feito pelo menos uma doação antes dos 60 anos.
A redução dos prazos não significa que a doação será liberada automaticamente. Todos os candidatos passarão por uma triagem antes da coleta, com avaliação do histórico de saúde, medicamentos utilizados e outras condições que possam interferir na segurança do processo.
Com a atualização das regras, pessoas que antes estavam impedidas de doar poderão ter uma nova oportunidade de avaliação. A expectativa é que os critérios mais atuais aumentem o número de potenciais doadores sem comprometer a segurança de quem doa e de quem recebe o sangue. Para aqueles que se enquadram nas novas condições, a orientação é procurar o hemocentro da região e verificar a possibilidade de realizar a doação.
