O Comitê realizou o quarto corte seguido, reduzindo a taxa de 14,25% para 14% ao ano, o menor nível desde março de 2025. Especialistas apontam impacto prático limitado diante de juros ainda elevados.
O Comitê de Política Monetária (Copom) realizou o quarto corte consecutivo na taxa básica de juros, reduzindo-a de 14,25% para 14% ao ano. Essa decisão era amplamente esperada, e qualquer outro movimento poderia gerar insegurança e reações adversas no mercado. Com essa nova taxa, a Selic atinge o menor nível desde março de 2025, marcando uma mudança significativa após um longo período de juros elevados no Brasil.
No entanto, a redução atual pode não ter um impacto prático significativo na economia, uma vez que o país ainda convive com altas taxas de juros, que não garantem a convergência da inflação para a meta estabelecida de 3%. O teto de 4,5% também não está assegurado, o que levanta dúvidas sobre a efetividade da política monetária adotada até o momento.
O comunicado do Copom, divulgado juntamente com a decisão, não trouxe indicações claras sobre os próximos passos em relação à taxa de juros, ressaltando as incertezas externas e possíveis novas pressões inflacionárias. As projeções indicam que a inflação pode ultrapassar a meta, alcançando 3,2% no primeiro trimestre de 2028, que é o horizonte atual para atingir a meta.
A flexibilização do “horizonte” da política monetária ocorreu após a reversão do movimento favorável da inflação, registrado no início do ano, antes do início do conflito no Oriente Médio. Mesmo com um possível corte adicional de 0,25 ponto percentual antes do fim do ano, conforme apontado pelo último relatório Focus do mercado, a política monetária deve permanecer contracionista por um período prolongado.
A adoção de uma política restritiva não impediu um aumento significativo no endividamento e na inadimplência, tanto de pessoas físicas quanto de empresas. O número de pedidos de recuperação judicial também cresceu acentuadamente. Esses problemas econômicos devem se tornar mais evidentes no ritmo das atividades, especialmente após o impulso gerado pelas eleições, que envolvem gastos e incentivos não apenas do governo federal, mas também de estados e municípios.
A classe política frequentemente critica a alta dos juros, mas deve colaborar para criar um ambiente mais favorável a cortes, incluindo a necessidade de ajustes nas contas públicas. O Copom destacou que segue monitorando como a política fiscal afeta a política monetária e os ativos financeiros, mantendo uma postura cautelosa em um cenário de incerteza crescente. A situação fiscal impacta não apenas a economia, mas também as expectativas do mercado, refletindo nas oscilações do dólar e na curva de juros, que estão intimamente ligadas às preocupações sobre a evolução das contas públicas.
