No evento da CNI, o ministro afirmou que, sem equipamentos, a reação sensata seria evitar confronto e 'abrir o portão' se os EUA invadissem. A fala ocorre em meio a debates sobre o orçamento das Forças Armadas.
Em meio a debates sobre o orçamento das Forças Armadas, o ministro da Defesa, José Múcio, fez uma declaração polêmica sobre como o Brasil deveria reagir em caso de uma invasão dos Estados Unidos. Durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre descarbonização do transporte marítimo, realizado na terça-feira, 4, ele afirmou que a alternativa mais sensata seria evitar o confronto e, em vez disso, ‘abrir o portão’.
O ministro destacou que frequentemente é questionado sobre essa situação hipotética. Em suas palavras, ‘abro o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão’. Múcio também ressaltou as dificuldades orçamentárias que afetam as Forças Armadas, enfatizando que, neste contexto, a melhor opção seria abrir a porta para os invasores.
A discussão sobre investimentos em defesa foi um ponto central de sua fala. Múcio enfatizou que aumentar os recursos destinados à defesa não implica em uma postura agressiva. Ele comparou o gasto com defesa à contratação de um plano de saúde, dizendo: ‘A gente escolhe o melhor, torcendo para não usar.’
No entanto, é importante observar que, segundo dados apresentados, os investimentos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em defesa caíram 11% em relação ao período de Jair Bolsonaro. Entre 2023 e 2026, foram destinados R$ 40,7 bilhões, contra R$ 45,7 bilhões nos quatro anos anteriores. Esses valores abrangem melhorias para as três Forças: Exército, Marinha e Aeronáutica.
No último domingo, 2, durante a convenção nacional do PT em São Paulo, Lula defendeu a necessidade de priorizar o setor de defesa, mesmo enfrentando resistência interna dentro da esquerda. Ele fez uma análise sobre a importância do Brasil investir em sua defesa, ressaltando que o país possui 16,8 mil quilômetros de fronteira seca, 8 mil quilômetros de fronteira marítima, além de ser lar da maior floresta tropical do mundo e deter 12% da água doce do planeta. ‘Nós precisamos investir na defesa’, concluiu.


