Uma Missão de Alto Nível da OEA iniciou encontros na Bolívia para promover diálogo e monitorar a crise política. Paralelamente, os EUA pediram reunião extraordinária do Conselho Permanente sobre a Nicarágua.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) intensificou sua atuação esta semana em duas crises políticas significativas na América Latina. Uma Missão de Alto Nível iniciou uma série de reuniões na Bolívia para promover o diálogo institucional e acompanhar a situação política do país. Simultaneamente, os Estados Unidos solicitaram uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da OEA para discutir os desafios enfrentados na Nicarágua.
Na Bolívia, a missão começou seus trabalhos na quarta-feira (29) com uma agenda que incluiu encontros com representantes do governo, dos poderes da República, do setor produtivo e da sociedade civil. O objetivo é fortalecer as instituições democráticas, apoiar as iniciativas de diálogo e contribuir para a preservação da ordem constitucional em meio a um cenário de tensões políticas e sociais.
A visita da OEA foi aprovada pela Assembleia Geral da organização através de uma resolução que condenou os recentes episódios de violência no país. O documento defendeu o diálogo entre os setores da sociedade e manifestou apoio ao governo democraticamente eleito do presidente Luis Arce.
A delegação é composta por representantes de Panamá, Argentina, Canadá, Chile, Estados Unidos, Peru e Uruguai, além do secretário-geral da OEA, Albert Ramdin. No primeiro dia da missão, os integrantes se reuniram com o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Aramayo Carrasco, e representantes dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e Eleitoral, do Tribunal Constitucional Plurinacional, da Procuradoria-Geral e de outras instituições estatais.
Os encontros também contaram com a participação de representantes de povos indígenas, organizações sociais, sindicatos, agricultores, trabalhadores da mineração, universidades, empresários, setores produtivos, transporte, turismo, gastronomia e veículos de comunicação.
Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.
Segundo a OEA, as reuniões ocorreram em um ambiente de diálogo aberto e construtivo. As contribuições apresentadas pelos diferentes setores serão incorporadas ao relatório final da missão, que seguirá com novas reuniões em Santa Cruz de la Sierra antes da elaboração de um documento a ser apresentado ao Conselho Permanente da organização em Washington.
Em outra frente, os Estados Unidos pediram a convocação de uma sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA para discutir a situação política da Nicarágua, em resposta aos recentes anúncios do governo de Daniel Ortega que ampliaram a preocupação internacional sobre a democracia no país.
Esse pedido ocorre após Ortega anunciar que a Nicarágua não realizará mais eleições nacionais, uma decisão que gerou críticas de governos regionais e de organismos internacionais, que veem isso como um rompimento com os princípios democráticos.
Washington busca que os países membros avaliem uma resposta conjunta diante do agravamento da crise institucional e das denúncias de repressão política, incluindo possíveis medidas diplomáticas e o fortalecimento do acompanhamento internacional da situação.
Este pedido acontece pouco mais de um mês após a Assembleia Geral da OEA aprovar uma resolução que condenou as violações de direitos humanos na Nicarágua. O documento exige a libertação de presos políticos, o fim das detenções arbitrárias, das desaparições forçadas e da perseguição a opositores, além da restituição da nacionalidade de cidadãos que foram desnacionalizados pelo regime.
Se a convocação for aprovada pelos Estados-membros, a reunião extraordinária deverá definir os próximos passos da OEA em relação à Nicarágua, em um momento considerado um dos mais delicados da crise política que começou em 2018.
