Em Campinas, Lula criticou 'qualquer dedo de fora' nas eleições ao discursar na convenção que oficializou Fernando Haddad. O presidente avisou que quem tentar se intrometer enfrentará dificuldades.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou o púlpito da convenção que oficializou a candidatura do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, realizada neste sábado, 25, para manifestar sua oposição a intervenções externas nas eleições brasileiras. Durante o evento em Campinas (SP), Lula enfatizou:
“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições”
. O presidente ainda advertiu que aqueles que tentarem se intrometer nas eleições do Brasil enfrentarão dificuldades, afirmando que
“Quem vai decidir o destino desse país são os 157 milhões de eleitores”
.
Embora não tenha mencionado diretamente o nome do ex-presidente americano Donald Trump, o petista enviou mensagens ao líder dos EUA, ressaltando que o Brasil é um país soberano e que deseja manter boas relações com todas as nações. O evento também contou com elogios à chapa de Haddad, que é composta por quatro ex-ministros, e Lula pediu aos eleitores que comparassem as biografias dos candidatos.
Em sua fala, Lula criticou também o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição. O presidente destacou a relevância da eleição para o Senado e mencionou a necessidade de apoio das candidatas Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) para enfrentar os desafios do governo federal, afirmando que
“a política está apodrecida”
.
Os petistas reconhecem o favoritismo de Tarcísio em São Paulo, mas incentivaram a militância a se mobilizar na campanha para reverter a atual situação estadual, promovendo as realizações do governo Lula. Durante o evento, foram expressas críticas à gestão de Tarcísio, com foco nas privatizações da Sabesp e do transporte sobre trilhos, além do aumento da criminalidade e dos feminicídios.
Haddad, que já havia sido o responsável por conduzir a área econômica do governo Lula até março deste ano, iniciou seu discurso mencionando os resultados positivos da administração federal, como a redução do desemprego. Ele argumentou que o Estado de São Paulo teve um crescimento inferior à média nacional nos últimos doze meses.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que terá um papel importante na campanha de Haddad, lembrou que o ex-ministro da Fazenda foi fundamental na união de forças entre Lula e ele em 2022. Alckmin criticou a gestão de Tarcísio, chamando-a de
“bolsonarismo envergonhado”
e afirmando que São Paulo não deseja a
“prepotência e arrogância daquelas marteladas”
do atual governador.
A ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet, e o ex-governador Márcio França também se manifestaram contra as políticas de privatização, ressaltando os problemas enfrentados pela população em relação à qualidade dos serviços e à falta de diálogo com os prefeitos. França, em particular, criticou Tarcísio como
“político ingrato”
e lembrou sua trajetória em cargos de confiança nas gestões petistas.
A disputa pelo governo de São Paulo neste ano será marcada por um esvaziamento de candidaturas, com apenas Tarcísio e Haddad em destaque, enquanto partidos menores devem lançar candidatos sem significativa representação no Congresso. A cor vermelha, símbolo do PT, predominou entre os apoiadores durante o evento, enquanto as cores verde e amarela, associadas ao bolsonarismo, foram menos vistas, mas começaram a ser adotadas por alguns políticos do campo progressista.
Na Arena Concórdia, onde aconteceu a convenção, placas destacavam a importância da Segurança Pública na campanha de Haddad, que terá pela frente o desafio não apenas de vencer Tarcísio, mas também de garantir um bom desempenho para Lula no maior colégio eleitoral do Brasil.
