O FMI pediu que o Brasil impeça o FGC de socorrer bancos antes da liquidação para proteger os recursos que garantem depósitos. A orientação consta de relatório sobre estabilidade financeira divulgado em 23/07/2026.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou que o Brasil elimine o mecanismo que permite ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) oferecer assistência financeira a bancos operacionais. A orientação foi divulgada em um relatório sobre a estabilidade do sistema financeiro brasileiro, publicado na quinta-feira, 23 de julho de 2026. Segundo o FMI, essa medida visa preservar os recursos que garantem os depósitos dos clientes em caso de falência de instituições financeiras.
Na avaliação do FMI, a possibilidade de socorrer bancos antes da liquidação pode expor o patrimônio do FGC a riscos elevados e aumentar as chances de perdas financeiras. O relatório destaca que a continuidade desse tipo de operação pode comprometer a principal missão do fundo: proteger os depositantes em situações de quebra bancária.
“A função de assistência a bancos em funcionamento do FGC pode expor o fundo a riscos significativos e a perdas adicionais e deveria ser eliminada”, afirma o documento.
O mecanismo atual permite que o FGC ofereça suporte financeiro temporário a instituições que enfrentam dificuldades, com o objetivo de evitar a agravamento da crise e impedir impactos sobre o restante do sistema financeiro. No entanto, o FMI aponta o risco de que o fundo destine esses recursos a bancos que já não têm condições reais de recuperação ou que a gestão utilize o dinheiro de maneira inadequada.
Além de defender o fim dessa modalidade de assistência, o FMI sugeriu que o Brasil fortaleça a estrutura financeira do FGC. Entre as recomendações, o órgão propõe a criação de uma fonte pública de financiamento previamente definida para situações de emergência.
Outra sugestão é que a legislação priorize os depositantes segurados e o próprio fundo na recuperação dos valores devidos por instituições liquidadas. “A criação de uma fonte pública de financiamento de apoio previamente acordada e a adoção, em lei, da preferência dos depositantes — com o primeiro nível de preferência aplicável aos créditos dos depositantes segurados e do FGC — fortaleceriam ainda mais os recursos do FGC”, avalia o FMI.
O documento também recomenda autonomia orçamentária ao Banco Central (BC) e sugere maior proteção jurídica a servidores, além de um reforço urgente nas equipes de supervisão.
A recomendação do FMI ganhou destaque após a crise envolvendo o Banco Master, embora o relatório não cite diretamente a instituição. Em maio de 2025, o FGC autorizou uma operação de suporte financeiro ao conglomerado enquanto o Banco Central analisava uma possível aquisição pelo Banco de Brasília (BRB).
O fundo liberou os recursos semanalmente, destinando-os exclusivamente ao pagamento de obrigações que estariam cobertas pelo FGC em caso de liquidação. Ao final de 2025, o saldo das letras financeiras emitidas nessa operação alcançou R$ 5,7 bilhões.
Após a rejeição da compra pelo BRB em setembro e a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, as liquidações elevaram para R$ 51,7 bilhões a estimativa de pagamentos de garantias aos clientes. O impacto total sobre as reservas do FGC, somando as operações de assistência, foi estimado em aproximadamente R$ 57,4 bilhões, com cerca de R$ 49 bilhões já pagos a aproximadamente 870 mil credores até abril de 2026.
Apesar das orientações do FMI, as autoridades brasileiras divergiram sobre o fim da assistência a bancos em operação, defendendo que o mecanismo complementa a Assistência Emergencial de Liquidez do Banco Central e protege o sistema. O relatório reconheceu avanços na governança do FGC desde 2018, destacando a solidez do sistema financeiro brasileiro, que possui boa liquidez e capitalização.

