Com a chegada das férias escolares de meio de ano, crianças e adolescentes passam mais tempo em casa, em parques, clubes, hotéis, casas de familiares e outros espaços de convivência. Embora esse período seja sinônimo de descanso, diversão e novas experiências, ele também demanda cuidados especiais para evitar situações que coloquem em risco a segurança e o bem-estar desses jovens.
As atividades recreativas desempenham um papel fundamental no desenvolvimento infantil, estimulando a criatividade, a autonomia, a interação social e a descoberta do mundo. No entanto, sem supervisão adequada e medidas preventivas, situações aparentemente simples podem resultar em acidentes graves, como quedas, afogamentos, queimaduras, intoxicações, choques elétricos e engasgos.
Um levantamento realizado pela Aldeias Infantis SOS, uma organização global que lidera um movimento de cuidado infantil, revelou que mais de 120 mil crianças foram hospitalizadas em 2024 devido a acidentes que poderiam ter sido evitados. A organização estima que cerca de 90% dessas ocorrências poderiam ser prevenidas com orientações básicas de segurança e a presença atenta de adultos responsáveis.
“As crianças passam mais tempo explorando ambientes diferentes e se movimentando em atividades realizadas ao ar livre ou em ambientes fechados. Por isso, é fundamental mapear os espaços, identificar possíveis riscos antecipadamente e criar condições para que elas possam brincar e se divertir com segurança”, afirma José Carlos Sturza de Moraes, Ponto Focal do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS.
Sturza destaca que a prevenção começa dentro de casa, com um trabalho de inspeção. A adoção de medidas simples, como instalar redes de segurança em janelas e restringir o acesso a produtos perigosos, pode reduzir significativamente os riscos de acidentes. “Muitas ocorrências podem ser evitadas com pequenas adaptações no ambiente e com o acompanhamento constante dos adultos. A segurança deve fazer parte da rotina, mas é durante as férias que a probabilidade de acidentes aumenta”, acrescenta.
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Entre os principais cuidados recomendados estão a proteção de janelas, sacadas e escadas para prevenir quedas; a instalação de protetores em tomadas; o armazenamento seguro de medicamentos, produtos de limpeza e objetos cortantes; e a utilização de travas em gavetas e armários que contenham materiais potencialmente perigosos.
Em viagens e passeios, a atenção deve ser redobrada. Antes de se hospedar em hotéis, pousadas ou casas de familiares, é importante verificar se o local oferece condições adequadas de segurança para crianças. Nas atividades ao ar livre, o uso de equipamentos de proteção, como capacetes, joelheiras e cotoveleiras, é indispensável para quem pratica esportes ou utiliza bicicletas, patins e skates.
Outro ponto de atenção envolve as brincadeiras aquáticas. “Piscinas, rios, lagos e até recipientes com pouca água, como baldes e piscinas infláveis, podem representar riscos de afogamento. A recomendação é que crianças permaneçam sempre sob a supervisão direta de um adulto e utilizem coletes salva-vidas quando necessário”, orienta Sturza.
Nos parquinhos e áreas de recreação, também é importante observar as condições dos brinquedos antes do uso. Equipamentos danificados, enferrujados ou sem manutenção adequada podem gerar incidentes. Já em hotéis, colônias de férias e atividades coletivas, os responsáveis devem verificar se há profissionais capacitados para acompanhar as crianças e prestar primeiros socorros em caso de necessidade.
“As férias são uma oportunidade valiosa para fortalecer vínculos, criar memórias afetivas e proporcionar experiências educativas às crianças. Quando a prevenção faz parte da rotina, conseguimos garantir que esse período seja vivido de forma plena e segura”, conclui Sturza.
