A Volkswagen anunciou, nesta quinta-feira, 9, que irá reduzir em até 50% a quantidade de modelos que oferece ao mercado. Essa decisão faz parte de uma estratégia ampla para cortar custos e enfrentar a crescente concorrência das montadoras chinesas. A companhia também indicou que pretende diminuir sua produção anual, embora não tenha detalhado os impactos que essa reestruturação terá sobre empregos e unidades industriais.
O plano foi aprovado pelo conselho de supervisão da empresa e busca simplificar a estrutura do grupo em um momento de transição da indústria automotiva para veículos elétricos. Essa mudança ocorre em um cenário onde fabricantes tradicionais enfrentam pressão crescente de concorrentes chineses, que têm ampliado sua participação no mercado global com modelos eletrificados e preços mais competitivos.
Nos últimos dias, veículos da imprensa alemã relataram que a Volkswagen estaria estudando a eliminação de até 100 mil postos de trabalho até o final da década e o fechamento de quatro fábricas na Europa. No entanto, a empresa não confirmou essas informações nem apresentou um cronograma para eventuais mudanças.
“Precisamos eliminar a capacidade excedente”, afirmou Oliver Blume, CEO da Volkswagen, em uma declaração em vídeo. Ele também ressaltou que “a situação geopolítica se tornou mais crítica nos últimos 12 meses” e que “os próximos anos decidirão quem desempenhará um papel decisivo na indústria automotiva”.
A montadora estabeleceu uma nova meta de produção de 9 milhões de veículos por ano, uma redução em relação à previsão anterior de 12 milhões de unidades anuais antes da pandemia. Mais recentemente, esse objetivo havia sido ajustado para 10 milhões.
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Especialistas avaliam que o anúncio deixou questões importantes em aberto. Ferdinand Dudenhöffer, diretor do Center Automotive Research, comentou que “as perguntas mais urgentes não foram respondidas hoje pelo conselho de supervisão” e que “a insegurança permanece”.
O grupo Volkswagen é composto por marcas como Volkswagen, Audi, Porsche, Skoda, Lamborghini e Bentley, além de controlar 88% da Traton, responsável por fabricantes de caminhões como MAN, Scania e International. Com 111 unidades de produção ao redor do mundo, a empresa se vê diante da necessidade de ajustes, especialmente devido à queda nos resultados financeiros. No primeiro trimestre, o lucro da Volkswagen caiu 28%, totalizando € 1,6 bilhão, enquanto as vendas recuaram 2%.
Funcionários da empresa demonstram preocupação com a situação. Embora não tenha sido anunciada a demissão de trabalhadores, o clima entre os empregados é de apreensão, principalmente nas unidades que correm risco de fechamento. Na fábrica da Audi em Neckarsulm, onde trabalham cerca de 15 mil pessoas, moradores temem que um eventual encerramento das atividades impacte fortemente a economia local.
“Se a Audi morrer, tudo aqui morre”, afirmou Cayli Halin, funcionária do centro de testes da unidade.
A pressão da concorrência chinesa tem sido um fator determinante para os desafios enfrentados pela Volkswagen e outras montadoras tradicionais. Com as empresas chinesas, como BYD e Geely, ganhando destaque no mercado global, a Volkswagen sente a necessidade de se adaptar para manter sua competitividade.




